quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Bíblia na Família e na Sociedade

                       


Na sociologia, uma “instituição” é um padrão estabelecido da vida social. Os sociólogos costumam identificar cinco instituições: (1) o governo, (2) a economia, (3) a educação, (4) a religião e (5) a família. Mas, em maior grau que qualquer outra instituição, a família incorpora todas as funções de uma sociedade. Ela manifesta os padrões de autoridade e organização (governo). Ela recebe e dispensa fundos (economia). Ela ensina habilidades e conhecimento (educação) e alguma forma de devoção (religião). A família é, portanto, a unidade básica da sociedade.
As famílias são necessárias na vida pessoal e social. As pessoas precisam de famílias para desfrutar de intimidade, relacionamento estreito e segurança. As sociedades precisam de famílias para garantir sua continuidade e lhe preparar membros responsáveis. Não surpreende, portanto, que mais de 95% das pessoas se casem. E, apesar de algumas diferenças de forma, o casamento e a família são fundamentais em todas as culturas conhecidas.
Os últimos anos têm provocado mudanças radicais na vida familiar da maioria dos países do Ocidente. Nos Estados Unidos, o número de famílias com presença única do pai ou da mãe é mais que o dobro do que havia em 1965. Agora, mais de 20% de todas as famílias com filhos têm só um pai ou uma mãe. O índice de divórcio flutua em torno de 5,5 para 1000 (comparado a 2,5 em 1965). Os casamentos duram, em média, menos de dez anos. Há reivindicações ostensivas de casamentos e adoções para homossexuais. É evidente que a atividade sexual pré-conjugal é o padrão do mundo. Aproximadamente 70% de todos os universitários relatam ter mantido relações sexuais. Proporção semelhante de pessoas casadas relata infidelidade conjugal.
Clamores por uma redefinição da família têm acompanhado essas mudanças. Diante desses clamores, a Bíblia permanece como fonte de constância e esperança (1) ensinando um modelo normativo para a vida familiar, (2) tratando das principais questões que confrontam a família em sua sociedade e (3) fornecendo recursos e orientação para a edificação da família.

Um modelo bíblico de família

A Bíblia reconhece que todas as culturas necessitam da família. A família repõe a população (Gn 1.28). Ela estabelece controle sobre instintos sexuais (1Ts 4.3-6; Hb 13.4). Ela dá identidade a seus membros (Sl 127-3-4). Ela prove treinamento básico para a vida social (Pv 4.1-27).
O interesse principal da Bíblia, porém, é fazer com que a família tenha o devido relacionamento com Deus. O ensino bíblico é organizado em torno de três conceitos chave: (1) a primazia absoluta do casamento, (2) a função da família e (3) as relações funcionais na família.

A prioridade do casamento. A Bíblia confirma com veemência a primazia do casamento como a unidade básica da vida social. Isso é feito de pelo menos três maneiras.

Psicologicamente. O mais fundamental dos princípios do casamento é a complementaridade, a interdependência de homem e mulher na intimidade marital. Esse é um tema importante nos relatos da criação.
Gênesis 1.27 registra que Deus criou “o homem à sua imagem [...] homem e mulher os criou”. Alguns estudiosos entendem que a “imagem de Deus” consiste na união de macho e fêmea. A imagem de Deus parece incluir mais que masculinidade e feminilidade. E, é claro, a Bíblia permite, de acordo com o momento, o celibato (Mt 19.12; 1Co 7.8,32). Entretanto, o casamento é o que permite expressão plena da identidade sexual.
O princípio de complementaridade é mais explícito no relato da criação da mulher: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18). A solidão do homem não era boa (cf. Gn 1.31), de modo que Deus providenciou uma “ajudadora idônea”. A palavra hebraica traduzida por “idônea” significa literalmente “colocada em oposição a ele para que possa ser comparada a ele”. Isso indica uma correspondência ou uma adequação, uma interdependência de tipos diferentes, mas semelhantes, de pessoas.
A declaração máxima de complementaridade está em Gênesis 2.24: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. No pensamento hebraico, “carne” pode referir-se não só à matéria biológica, mas ao que hoje é chamado “personalidade”. Um casal, portanto, não só se torna biologicamente um, como também emocional, espiritual e psicologicamente um. No casal há um dar e receber mútuo daquilo que está no íntimo deles. Isso explica em parte o eufemismo bíblico de “conhecer” como sinônimo de relação sexual (Gn 4.1; 19.8).

Sociologicamente. O casamento também tem primazia como a unidade social básica. O casamento é uma “ordenança da criação”, não uma ordenança da igreja. Isso significa que o casamento é válido e impõe obrigações para todos, independentemente da fé em Cristo (1Tm 4.3-5).
A Bíblia apresenta o casamento como provisão de Deus para regular e sancionar a atividade sexual (Hb 13.4; Gn 2.24). Isso é crucial para qualquer sociedade. Na Bíblia, todos os privilégios, responsabilidades e consequências da vida sexual são confiados ao ambiente conjugal de compromisso mútuo e aprovação social.

Teologicamente. O casamento é uma relação de compromisso firmado de maneira formal, como demonstram os termos “deixar” e “unir” (Gn 2.24; também Mt 19.5; Mc 10.7; Ef 5.31). Esse compromisso resulta em aprovação social para a união do casamento.
Para os cristãos, o casamento bíblico leva mais adiante o ideal do compromisso. Trata-se de uma “aliança” entre os parceiros (Ml 2.14) e com Deus (Ml 2.10). O casamento cristão deve, assim, ser “no Senhor” (1Co 7.12-16; 2Co 6.14-18). Ele também possui significado teológico, simbolizando a relação de Cristo com a igreja (Ef 5.32).

A família como unidade funcional. A Bíblia usa dois grupos de palavras para descrever uma família. De longe, o mais comum dentre os dois é “casa” ou “família” (grego oikos; hebraico bayit). No Antigo Testamento, ele ocorre mais de mil vezes; no Novo, mais de trezentas.
Com frequência, as palavras referem-se simplesmente a uma habitação. Mas em geral referem-se a pessoas que vivem juntas num relacionamento familiar. Muitas vezes as palavras têm o sentido ampliado, como “a casa de Israel” (Êx 40.38) e “casa de Levi” (Nm 17.8) ou a “casa de Saul” (2Sm 3.1). Às vezes elas denotam uma família nuclear ou imediata (Mc 6.4; 1Tm 3.5).
Essas palavras definem a família de acordo com sua função. Um oikos (bayit) é um grupo em atividade. É um sistema ou um ambiente caracterizado por certas atividades essenciais. A palavra “economia” serve bem como ilustração. Ela vem de oikos e denomos (“lei”), assim, seu primeiro significado é a lei da família. Em grego, oikonomia denota a gerência ou administração da casa (Lc 16.3).
O oikos (bayit) é uma unidade social a que Deus atribui algumas responsabilidades. Entre elas estão a provisão de necessidades básicas (1Tm 5.8), a criação de filhos (1Tm 3.12), a proteção (Mt 12.25) e a promoção da qualidade de vida para pais e filhos (“edificar a casa”, Pv 24.3). A Bíblia pressupõe que essas tarefas exigem certa ordem estrutural dentro da família e ordem estrutural também no que diz respeito à família na sociedade.
Dentro da família, é preciso que a ordem prevaleça (1Tm 3.5,12; Pv 11.29). A autoridade legítima é reconhecida, mas delimitada com cuidado. O marido é encarregado de liderar a família em amor (Ef 5.24), compreensão e respeito (1Pe 3.7; Cl 3.18-19). A esposa tem a obrigação de respeitar essa responsabilidade de liderança (Ef 5.22; Cl 3.18), de incentivar o marido nessa responsabilidade (Tt 2.4; Pv 31.10-11), mas sem nenhuma sensação de medo ou intimidação (1Pe 3.5-6).
As tarefas de manter e edificar a casa estabelecem desse modo as esferas de responsabilidades básicas. A esfera do marido é a provisão e a liderança para o bem da casa. Em 1 Timóteo 5.8, por exemplo, ele é considerado responsável pelo “cuidado dos seus”. A esfera da esposa é a provisão e a liderança dentro da casa. Em 1 Timóteo 5.14 as mulheres são instruídas a serem “boas donas de casa” (também Tt 2.4-5; Pv 31.27).
É claro que essas áreas não se excluem. A diferença está no eixo. A responsabilidade principal do marido é dar provisão e direção para a casa. A da esposa é cuidar e gerir a casa.
As famílias precisam não só de ordem interna, como também de ordem em relação à sociedade. A Bíblia entende que a família é a principal unidade na concessão de cuidados para seus membros. A responsabilidade de instruir os filhos (Sl 78.4-6; Pv 22.6) e o cuidado com os idosos (1Tm 5.4), por exemplo, são da família, não de outras instituições sociais. Numa sociedade altamente complexa, essas tarefas são com frequência exercidas de maneira indireta. Mas a Bíblia deixa claro que são obrigações da família.
Além disso, a Bíblia fala da família como o ponto de contato estratégico entre o indivíduo e a comunidade maior. A família é um amortecedor, oferecendo refúgio e paz (Pv 25.24; Lc 10.5; Mc 3.20-21). É um ambiente para desenvolver relacionamentos (cf. 1Tm 5.1-2), suprir necessidades (Rm 12.13) e comunicar ideias (especialmente o evangelho) de maneira seletiva, mas liberal (Mt 9.10-11; 10.12-13; Fm 2). É notável que os lares foram os principais instrumentos de evangelização e ministério na igreja primitiva (At 2.46; 1Co 16.15; Cl 4.15). A família é o campo de treinamento de cidadãos responsáveis (Dt 11.9-21) que podem causar um impacto permanente na sociedade (Sl 127.3-5; Ml 2.15). Ela é, acima de tudo, um ambiente propício para desenvolvimento da fé viva (Dt 6.7; 2Tm 1.5).

A família como unidade relacional. O segundo grupo de palavras que denotam “família” é patria (e outra afim, genos), no Novo Testamento (em hebraico, mispabah). Elas ocorrem menos de vinte e cinco vezes no Novo Testamento, enquantomispahah ocorre no Antigo Testamento cerca de trezentas vezes. Essas palavras destacam as relações que mantêm as famílias juntas, ou seja, o parentesco.
Associações frágeis às vezes chamadas “família” na cultura contemporânea são desconhecidas na Bíblia. A família é formada pelo casamento, depois nascimento ou adoção (Gn 15.3). Pela Bíblia, um relacionamento não é uma ligação emocional. O relacionamento implica um conjunto de responsabilidades exigidas por laços de compromisso (casamento) e sangue (filhos).
Os princípios bíblicos para construir relacionamentos devem ser interpretados nesses termos. A Bíblia mostra pouco interesse em preocupações modernas como capacidade de relacionar-se ou dinâmicas interpessoais. Os relacionamentos familiares repousam principalmente na responsabilidade para com o cônjuge, os filhos, os pais e os parentes (Ef 5.22-6.4).

A Bíblia e as questões familiares

Como a unidade social básica, cada questão social atinge de algum modo a família. É claro, porém, que algumas questões chegam mais perto do centro da identidade e do bem-estar familiar. Na sociedade contemporânea, estariam entre essas questões: papéis sexuais (veja acima), a extensão e os tipos de comportamento sexual e os padrões de casamento.

A Bíblia e a sexualidade humana. O primeiro princípio bíblico da sexualidade humana é que o sexo é legítimoexclusivamente dentro da aliança do casamento. A declaração concisa desse princípio em Gênesis 2.24 é a corte de apelação em todo o Novo Testamento em questões ligadas ao casamento e ao comportamento sexual (veja Mt 19.5-6; Mc 10.8; Ef 5.31). As implicações desse princípio orientador são também examinadas na Bíblia.
Primeiro, todos os desvios sexuais são condenados (Gl 5.19; Rm 1.24). Entre eles a relação sexual com crianças (pedofilia, veja Mt 18.6), o incesto (Lv 20.11-21) e o comportamento homossexual (Lv 18.22; Rm 1.26-27).
Segundo, a atividade sexual está sempre ligada à edificação da família. Isso não significa que o único propósito da sexualidade são os filhos, por mais que sejam importantes (Sl 127.3-5; 128.3-6). Significa que a Bíblia coloca o sexo dentro da estrutura da formação da família. Todo ato sexual, de regra, possui potencial para concepção. E a relação sexual é o meio pelo qual se cumpre a ordem divina de gerar filhos (Gn 1.28). Ele também expressa amor (Hb 13.4), nutre o companheirismo (Pv 5.18-19) e fortalece o compromisso (1Co 7.3-4). Por conseguinte, como princípio operacional, qualquer atividade sexual que não possa ser considerada promotora da formação de famílias vai contra a Bíblia. O sexo pré-conjugal, por exemplo, coloca a intimidade sexual antes da aliança do casamento. Ele também tem o potencial de produzir filhos para os quais ainda não foi preparado o ambiente seguro de um lar (casamento). Assim, ele não consegue edificar uma família.
Terceiro, a sexualidade causa consequências psicológicas poderosas. O sexo é o modo de união no casamento (Gn 2.24). Ele junta duas pessoas formando “uma carne” (veja acima). O sexo no casamento desenvolve a personalidade. Mas fora dele, distorce e prejudica emocionalmente (1Co 6.18; Ml 2.16).
Quarto, o casamento é a provisão divina para expressão sexual (1Co 7.9). Como tal, é normal e bom (Jo 2.1-11; 1Tm 4.3; 5.14). A Bíblia certamente permite o celibato e o recomenda para uma vida de devoção completa (1Co 7.7-9,32-34). Mas a noção de celibato egoísta que busca o próprio prazer é estranho à Bíblia. O celibato bíblico sempre inclui castidade e devoção (Mt 19.10-12; 1Tm 5.9-11).

A Bíblia e o divórcio e o novo casamento. Assim como ocorre hoje, o divórcio era comum em todo o mundo greco-romano e em Israel após o exílio (cerca de 536 a.C.). Isso explica os severos alertas a respeito do divórcio e novo casamento em Malaquias (cerca de 430 a.C.) e em todo o Novo Testamento. Enquanto o divórcio vem se tornando mais aceitável na sociedade, os cristãos questionam cada vez mais o ensino bíblico sobre o assunto.
A discussão envolve quatro passagens-chave nos evangelhos (Mt 5.32; 19.3-12; Mc 10.2-12; Lc 16.18), uma nas epístolas de Paulo (1 Co 7) e algumas no Antigo Testamento (especialmente Dt 24.1-4). A questão decisiva nessas passagens é se há motivos justificáveis para o divórcio e, caso haja, quais.
Debates extensos tem levado a diferentes conclusões entre cristãos evangélicos. Alguns não encontram permissão alguma para o divórcio. Outras encontram uma, duas ou várias. Outras permitem o divórcio, mas não o novo casamento.
Um ponto crucial nesse debate é Mateus 19.3-9 (também Mc 10.2-12), onde Jesus citou a permissão mosaica de um “certificado de divórcio” no contexto do próprio ensino. Jesus afirmou que Moisés “permitiu” essa prática por causa da dureza dos corações. A prática é descrita em Deuteronômio 24.1-4 que, porém, não prescreve nenhuma base para divórcio. Antes, proíbe o novo casamento de um casal previamente divorciado.
O motivo do divórcio (“por ter ele achado coisa indecente nela”) é ambíguo em hebraico. Já na época do Novo Testamento, os rabinos judeus dividiam-se quanto ao significado da frase. Os seguidores do rabino Shammai limitavam o significado a “adultério”. Os seguidores do rabino Hillel incluíam qualquer coisa que desagradasse. A pergunta dos fariseus reflete esse debate (19.3). Jesus evitou o laço armado e, ao mesmo tempo, elaborou três pontos importantes acerca do divórcio.
Primeiro, ele declarou que a questão do divórcio não era pertinente. Deus queria que o casamento fosse uma relação de aliança e uma união que formasse “uma só carne” pelo resto da vida (19.4-6).
Segundo, Moisés não instituiu o divórcio, nem forneceu bases para isso. Ele só permitiu e regulamentou o divórcio como uma realidade social que resultava em última análise do pecado.
Terceiro, o Senhor designou a imoralidade sexual como a única base para o divórcio (1990). A palavra usada é porneia (cf. a palavra “pornografia”), um termo um tanto amplo que inclui outros tipos de imoralidade além do adultério.
Há muito se entende que o ensino de Paulo em 1 Coríntios 7 acrescenta uma segunda exceção para o divórcio. Nesse caso, um crente “não fica sujeito à servidão”, caso o cônjuge incrédulo deixe a relação de casamento (1Co 7.12-15). Tomadas em seu sentido literal, essas palavras parecem indicar desobrigação do compromisso marital e, portanto, liberdade para novo casamento (cf. 7.39). Em 7.10-11 Paulo reiterou o ensino do Senhor sobre o ideal do casamento. Os maridos e as esposas não se separem. Mas caso o façam, devem buscar reconciliação ou permanecer sós. A palavra aqui traduzida por “separar” (chorizo) pode incluir o divórcio.
Parece mais natural pressupor que a Bíblia aceita o novo casamento em casos de imoralidade sexual e abandono. Em 1 Coríntios 7.8-9 Paulo disse que é melhor que os “solteiros” casem-se em vez de se arriscarem à imoralidade sexual. Em 1 Coríntios 7.27-28, Paulo deu uma orientação ainda mais geral ao tratar de tais pessoas. A palavra “solteiros” (agamos) não se refere exclusivamente a pessoas que nunca se casaram (“virgem”, parthenos) ou a viúvas (chera). Ela parece englobar pessoas que não se encontram casadas por algum outro motivo. Observe o contraste entre “solteiro” e “viúvas” (7.8,39) e “virgens” (7.27-28).
A Bíblia destaca que o próprio Deus pretende que o casamento seja uma relação de aliança vitalícia entre um homem e uma mulher. Deus declara seu ódio ao divórcio (Ml 2.16). Tanto o Senhor como Paulo foram coerentes ao apelar à ordenança do casamento na criação em seu ensino. A Bíblia não exige nem recomenda em parte alguma o divórcio. Antes, o perdão e a reconciliação são estimulados (1Co 7.11). Todas as exceções são dadas com reserva, como um meio de regular condições pecaminosas. Em suma, a fácil aceitação do divórcio moderno é estranha à Bíblia.

A Bíblia como recurso para edificação da família

A conhecida passagem de 2 Timóteo 3.16 sobre a inspiração é uma declaração não só da origem da Bíblia, mas de sua utilidade “para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. É interessante que o versículo fazia ligação entre o ministério de Timóteo na época e sua infância (2Tm 3.15). Paulo lembrou a ele que as Escrituras que haviam moldado seu caráter na infância agora serviam de fundamento para o trabalho de sua vida. As Escrituras desempenhavam papel crucial na participação de Timóteo na mesma “fé sem fingimento” que possuíam sua mãe e avó (2Tm 1.5).
Escritores antigos como Tertuliano (falecido em cerca de 215 d.C.) afirmaram que a leitura da Bíblia estava no centro da vida familiar cristã primitiva (À Sua Esposa 2.8). Agostinho (falecido em 430 d.C.) menciona a leitura do salmo 101 pela família para consolo na casa de sua mãe no funeral dela (Confissões, 10.12). Policarpo, um discípulo do apóstolo João (falecido em cerca de 155 d.C), elogiou a igreja de Filipos pela constância na devoção familiar: “Tenho certeza de que sois bem versados nas sagradas Escrituras e que de nada vos esquecestes” (Aos Filipenses, 12.1).
Infelizmente, muito dessa ênfase na devoção familiar dissolveu-se na Idade Média. A Bíblia foi restrita ao clero, e diminuiu-se a ênfase no estudo acadêmico da Bíblia. A Reforma (século VXI) muito fez para reviver a vida devocional da família, ainda que não tenha chegado aos níveis dos primeiros séculos cristãos. Em anos recentes, a prática voltou a ser negligenciada.
A edificação bíblica da família, porém, depende da devoção familiar. Os estatutos e os mandamentos de Deus devem ser constantemente ensinados. As crianças devem ser criadas de modo que temam a Deus e vivam em obediência (Dt 6.1-8). De maneira amorosa, elas devem ser instruídas e guiadas “no Senhor” (Cl 3.21; Ef 6.4).
A Bíblia incentiva a família a criar uma atmosfera de devoção (Êx 12.25-27; Dt 12.7; Sl 78.1-8; Is 38.19), onde a Palavra de Deus seja ensinada e haja uma obediência contínua a ela. Assim, em Deuteronômio 6, os filhos são ensinadas quando os pais fazem com que os estatutos divinos recebam atenção constante da família. Pelo aspecto negativo, isso implica que a Bíblia não deve ser usada de forma imprecisa ou inadequada. Pelo aspecto positivo, implica que a leitura da Bíblia ocorre com regularidade. E, principalmente, implica que a Bíblia deve ser obedecida; e o Salvador, de quem ela fala, adorado.

Fonte: A Bíblia e a Fé Cristã. pp.906-910.


O Hábito da Leitura da Bíblia - H. Halley

 
Todos devemos amar a Bíblia. Todos devemos lê-la. Todos. É a Palavra de Deus. Ela tem a solução da vida. Ela nos fala do melhor Amigo que a humanidade já teve, o mais nobre, o mais terno, o mais verdadeiro Homem que já pisou na terra.

É a mais linda história que já se contou. É a melhor diretriz da conduta humana que já se conheceu. Dá um sentido, um fulgor, uma alegria, uma vitória, um destino e uma glória à vida, que em nenhuma outra parte são revelados.

Nada há na História, ou na literatura, que de alguma forma se compare com as singelas narrativas do Homem da Galileia, que levou dias e noites a ministrar aos que sofriam, a ensinar aos homens como ser benévolos, a morrer pelo pecado, a ressuscitar para a vida que jamais acaba, e a prometer segurança eterna e eterna felicidade a todos quantos se chegam a Ele.

A maioria do povo há de pensar, seriamente, como há de ser quando o fim chegar. Não adianta sorrir, desdenhosamente, passar adiante deste assunto, ESSE DIA HÁ DE VIR. E QUE ACONTECERÁ ENTÃO? A Bíblia dá a resposta. É resposta inequívoca. Há um Deus. Há um céu. Há um inferno. Há um Salvador. Haverá um dia de juízo. Feliz do homem que, enquanto vivo, fizer suas pazes com o Cristo da Bíblia e se preparar para esse epílogo.

Como pode uma pessoa sensata deixar de entusiasmar-se com Cristo, e com a Bíblia, que de Cristo lhe fala? Todos devemos amar a Bíblia. Todos. TODOS.

Todavia, a negligência generalizada da Bíblia, por parte de igrejas e de pessoas que frequentam igrejas, é, simplesmente, de estarrecer. Conversamos sobre a Bíblia, defendemos a Bíblia, louvamos a Bíblia, exaltamos a Bíblia. Sim, pois não! Mas, muitos membros de igreja raramente lançam um olhar à Bíblia — de fato, ficariam envergonhados de ser vistos a lê-la. E os líderes da Igreja, em geral, não parecem fazer um esforço sério para levar o povo a ler a Bíblia.

O protestantismo de hoje em dia parece cuidar muito pouco do Livro em que, altissonantemente, professa crer. E o Catolicismo Romano prefere, declaradamente, seus próprios decretos à Bíblia.

Procuramos saber tudo no mundo. Por que não, também, acerca de nossa religião? Lemos jornais, revistas, novelas e toda sorte de livros, e ouvimos o rádio nas horas certas. No entanto, a maioria de nós nem sequer sabe os nomes dos livros da Bíblia. Que vergonha! Que vergonha!

O contato individual direto com a Palavra de Deus é o principal meio de crescimento cristão. Todos os líderes de poder espiritual, da história do cristianismo, têm sido leitores devotados da Bíblia.

A Bíblia é o livro de que vivemos. A leitura da Bíblia é o meio de aprendermos e de conservarmos nítidas, em nossas mentes, asIDEIAS que modelam nossa vida. Nossa vida é produto de nossos pensamentos. Para vivermos certo, precisamos pensar certo.

Os pensamentos exercem poder em nossa vida pela FREQUÊNCIA com que ocuparem nossas mentes. Lemos a Bíblia frequente e regularmente, de sorte que os pensamentos de Deus podem ocupar frequente e regularmente nossas mentes; podem vir a tornar-se pensamentos nossos; podem nossas ideias vir a conformar-se com as ideias de Deus; podemos ser transformados na imagem de Deus, e tornados capazes de fazer eterna companhia com o nosso Criador.

Podemos, com efeito, absorver a verdade cristã, em certo grau, assistindo aos cultos, ouvindo sermões, lições bíblicas, testemunhos, e lendo literatura cristã.

Todavia, por mais que essas coisas sejam boas e úteis, fornecem-nos a verdade divina em SEGUNDA MÃO, aguada, porque através de canais humanos, e, até certo ponto, glosada com ideias e tradições humanas.

Estas coisas não podem tomar o lugar da leitura individual da PRÓPRIA BÍBLIA, da fundamentação, por nós mesmos, de nossa fé, esperança e vida, diretamente na Palavra de Deus, antes que naquilo que os homens dizem acerca dessa Palavra.

A Palavra de Deus é a arma do Espírito de Deus para a redenção e perfeição da alma humana. Não é bastante ouvir outros falar, ensinar e pregar a respeito da Bíblia. Precisamos conservar-nos, cada um de nós, em contato direto com a Palavra de Deus. É ela o poder de Deus em nossos corações.

A leitura da Bíblia é hábito cristão fundamental. Não queremos dizer que devemos cultuar a Bíblia como se fosse um fetiche, mas adoramos o Deus e o Salvador de quem a Bíblia nos fala. E, porque amamos nosso Deus e Salvador, amamos, terna e devotadamente, o Livro que dEle procedeu e dEle se ocupa.

Nem queremos dizer que o hábito de ler a Bíblia é em si uma virtude, porque é possível lê-la sem aplicar seus ensinos à vida, havendo, mesmo, os que a leem e ainda são mesquinhos, desonestos e nada cristãos. São, contudo, exceções.

Em regra, a leitura bíblica, quando feita com as devidas disposições de espírito, é hábito que dá lugar a todas as virtudes cristãs, sendo a mais eficiente força formadora do caráter que se conhece.

Como ato de devoção religiosa. Nossa atitude para com a Bíblia é um índice muito seguro de nossa atitude para com Cristo. Se amarmos uma pessoa, gostamos de ler a seu respeito, não é fato?

Se apenas chegássemos a considerar nossa leitura bíblica como ato de devoção a Cristo, seríamos inclinados a considerar o caso menos irrefletidamente.

É glorioso ser cristão. O mais elevado privilégio que qualquer mortal pode ter é andar pela vida afora de mãos dadas com Cristo, como Salvador e Guia; ou, mais corretamente, é andar vacilante, como criancinha, ao Seu lado e, embora sempre a tropeçar, nunca largando a Sua mão.

Esta relação pessoal de cada um de nós com Cristo é uma das coisas essenciais da vida, e não falamos muito sobre isto, provavelmente, porque descobrimos que somos, lamentavelmente, indignos de usar o Seu nome. Mas, no profundo de nossos corações, refletindo seriamente, sabemos que, a despeito de nossa fraqueza, mundanismo, frivolidade, egoísmo e pecado, amamo-Lo mais do que a qualquer outra coisa no mundo; e, nos nossos momentos de maior lucidez, sentimos que, voluntariamente, não O ofenderíamos por coisa alguma. Somos, porém, irrefletidos.

Ora, a Bíblia é o livro que nos fala de Cristo. É possível, então, amar a Cristo e ao mesmo tempo ter prazer em ser indiferente à Sua Palavra? É POSSÍVEL?

A Bíblia é o melhor livro devocional. Opúsculos para devoções diárias, que, modernamente, as casas publicadoras evangélicas anunciam tanto, podem ter seu lugar. Contudo, não substituem a Bíblia. A Bíblia é a própria Palavra de Deus. E nenhum outro livro pode tomar o seu lugar. Todo crente, moço ou velho, deve ser um fiel leitor da Bíblia.

George Muller, que, em seu Orfanato em Bristol, Inglaterra, fez, pela oração e fé, um dos mais notáveis trabalhos da história cristã, atribuía seu êxito, pelo lado humano, ao seu amor à Bíblia. Disse ele: “Creio que a principal razão de me haver conservado em atividade útil e feliz está no amor que tenho à Sagrada Escritura. Tenho como hábito ler a Bíblia toda quatro vezes por ano; em espírito de oração, aplicá-la a meu coração e praticar o seu ensino. Durante sessenta e nove anos, tenho sido um homem feliz, feliz, feliz”.

Subsídios para o estudo da Bíblia. A Bíblia é um livro grande, de fato, é uma coleção de livros, de um passado distante. Precisamos de todos os auxílios disponíveis para compreendê-la. Um bom dicionário bíblico é o melhor dos subsídios. Um bom comentário é de muito valor. E todo o mundo deve possuir uma concordância (Chave Bíblica).

Mas mesmo assim, surpreende como, em grande parte, a Bíblia se interpreta a si mesma, quando conhecemos o seu conteúdo. Há muitas dificuldades na Bíblia, mesmo além da compreensão dos mais eruditos. Mas, apesar disso, os seus principais ensinos são inequívocos e tão claros que “viandantes, ainda que insensatos, não têm que se enganar com eles”.

Aceitai a Bíblia como, exatamente, ela é, pelo que ela se afirma ser. Não vos inquieteis com as teorias dos críticos. A tentativa engenhosa e impudente da crítica moderna, por solapar a veracidade histórica da Bíblia, passará; ela, a Bíblia, permanecerá como luz que é da raça humana, até aos fins do tempo. Firmai vossa fé na Bíblia. É a Palavra de Deus. Ela nunca deixará que sossobreis. Para nós, homens, ela é a rocha dos séculos. Confiai nos seus ensinos e sereis felizes para sempre.

Lede a Bíblia com a mente aberta. Não tenteis forçar todas as suas passagens, amoldando-as a umas poucas doutrinas prediletas. Nem vejais em suas passagens, ideias que lá não se encontram, nem mesmo para servirem a um sermão. Mas tentai descobrir, cândida e honestamente, os principais ensinos e lições de cada passagem. Assim, chegaremos a crer no que devemos crer, porque a Bíblia é mui capaz de cuidar de si mesma, se lhe dermos oportunidade.

Lede a Bíblia com reflexão. Lendo a Bíblia, precisamos vigiar-nos, rigorosamente, para que nossos pensamentos não divaguem, tornando-se a leitura perfunctória e sem sentido. Temos de resolver, resolutamente, fixar a mente no que lemos, esforçando-nos, ao máximo, por entender e ficando à espreita de lições que nos sirvam.

Armai-vos de um lápis. É bom, à medida que lermos, ir marcando passagens de que gostarmos; e, de vez em quando, passando em revista as páginas lidas, ler de novo as passagens marcadas. Com o tempo, uma Bíblia, assim bem marcada, tornar-se-nos-á muito preciosa, à proporção que se aproxima o dia de nos encontrarmos com o seu Autor.

Uma leitura habitual, sistemática da Bíblia é a que serve. Leitura ocasional ou espasmódica não significa muito. A menos que sigamos determinado método e o observemos com resolução firme, o resultado será não lermos muito da Bíblia. Nossa vida interior, como nosso físico, precisa de alimento diário.

Um tempo certo cada dia, qualquer que seja o plano de leitura a adotar, deve ser reservado para isso. De outro modo, seremos capazes de negligenciá-lo.

É bom que seja a primeira coisa, de manhã, se nossa rotina de trabalho o permite. Ou à noite, findo o trabalho do dia, é possível que nos sintamos mais à vontade.

Ou, talvez, de manhã e de noite. A alguns, pode servir melhor um período de tempo ao meio-dia.

Não importa muito qual seja o tempo escolhido. O importante é que escolhamos o que melhor nos convenha e que não interfira nos nossos trabalhos diários; que o observemos, rigorosamente, não desanimando, se, uma ou outra vez, essa rotina for interrompida por alguma coisa alheia à nossa vontade.

Aos domingos, podemos dedicar-nos mais à nossa leitura bíblica, visto ser o dia do Senhor, reservado à Sua Palavra.

Decorai os nomes dos livros da Bíblia. Seja isto a primeira coisa. A Bíblia compõe-se de sessenta e seis livros. Cada um deles versa sobre um assunto. O ponto de partida para se entender a Bíblia é, antes de tudo, saber que livros são esses, a ordem de sua colocação e, de um modo geral, de que trata cada um.

Decorai versículos favoritos. Decorai-os, por inteiro, repetindo, muitas vezes, esses versículos, que são a vossa vida: algumas vezes, estando sozinho; ou, à noite, para que vos ajudem a adormecer nos Braços Eternos.
O hábito de fazer os pensamentos de Deus atravessar, muitas vezes, a nossa mente fará que esta se conforme com a mente divina; e, à medida que se dá essa conformação, toda nossa vida será transformada na imagem de Deus. É isto um dos melhores auxílios espirituais de que podemos dispor.

Planos de leitura bíblica. Sugerem-se muitos planos. Um convém mais a uma pessoa; outro convém mais a outra. Uma pessoa poderá gostar de mudar o plano, com o correr do tempo. O plano em si não importa muito. O essencial é ler a Bíblia com certa regularidade.

Nosso plano de leitura deve abranger a Bíblia toda, com razoável frequência, porque toda ela é a Palavra de Deus, é uma história só, uma estrutura literária de profunda e admirável unidade, centralizada em Cristo. CRISTO é o âmago e o ponto culminante da Bíblia. Tudo quanto vem escrito antes dEle, de um ou outro modo, é uma antecipação de Sua Pessoa. Tudo quanto se Lhe segue, vem interpretá-Lo. A Bíblia toda pode, com muita propriedade, ser chamada a história de Cristo. O Antigo Testamento prepara o caminho para Sua chegada. Os Quatro Evangelhos contém a história de Sua vida terrena. As Epístolas expõem a Sua doutrina. O Apocalipse revela o Seu triunfo.

Entretanto, algumas partes da Bíblia são mais importantes do que outras e devem ser lidas com maior frequência. O Novo Testamento, naturalmente, é mais importante do que o Antigo. Em cada um dos Testamentos, alguns livros, e, em cada livro, alguns capítulos, têm valor especial. Os Quatro Evangelhos são os mais importantes de todos.

Um plano bem equilibrado de leitura bíblica, segundo pensamos, pode ser algo do seguinte modo: cada vez que lermos a Bíblia toda, leiamos o Novo Testamento, uma ou duas vezes mais, com frequente leitura repetida de capítulos favoritos em ambos os Testamentos.

Quantas vezes? Uma vez por ano, pensamos, todo o Antigo Testamento, e duas vezes o Novo, seria um bom planoMÍNIMO a ser observado pela média do pessoal. E seria um meio de simplificar as coisas, fazê-lo coincidir com o ano civil, começando-se em janeiro e terminando em dezembro.

Tal plano significaria uma média de 4 ou 5 capítulos por dia, e requereria, mais ou menos, uma média de 15 ou 20 minutos diários. Não há tempo para isso? Bem, a questão do tempo é deveras importante. Um ou três minutos por dia, para devoção religiosa, é brincadeira de crianças. Se somos crentes, por que não tomamos a sério nossa religião? Por que brincar com ela? Não nos enganemos. PODEMOS achar tempo para aquilo que DESEJAMOS fazer.

Como proceder? Primeiro, escolhamos o plano e tracemos um quadro para o ano, atribuindo certo número de capítulos a cada dia, ou determinado livro, ou parte de um livro, ou grupo de livros, para cada semana, ou para cada mês, como preferirmos.

Mais especificamente, o Antigo Testamento tem 39 livros, 929 capítulos. O Novo Testamento tem 27 livros, 260 capítulos. Total, 66 livros, 1189 capítulos. Tanto os livros como os capítulos variam muito de extensão. Alguns são muito curtos, outros muito longos. Numa Bíblia de tamanho médio e de tipo médio, um capítulo médio cobre mais ou menos a extensão de uma página.

Alguns capítulos e alguns livros, devido à natureza do seu assunto, podem ser lidos mais rapidamente do que outros. E alguns capítulos merecem ser lidos, repetidamente, muitas e muitas vezes.

Leitura consecutiva. É a leitura seguida dos livros na ordem cm que se acham, isto é, do Gênesis ao Apocalipse. Depois de feita a leitura, repeti-la. Com este plano, a menos que se leia a Bíblia inteira, muitas vezes, passa-se muito tempo sem ler em o Novo Testamento.

Leitura alternada dos dois Testamentos. Isto é, ler nos dois Testamentos, simultaneamente; ler alguma coisa, cada dia, ou cada semana, num e noutro Testamento; ou uma semana no Antigo, e na semana seguinte em o Novo, ou um livro no Antigo e depois outro em o Novo.

Um capítulo por dia. Muitos fazem assim. E é um hábito maravilhoso. Mas muito melhor será se pudermos ler dois, ou três, ou quatro capítulos por dia.

Ler a Bíblia pelos livros: isto é, um livro inteiro, ou grande parte dele, de uma vez ou tão continuadamente quanto possível. Em regra, tratando de leitura bíblica, é melhor fazê-la por livros inteiros do que por seleções de trechos de capítulos.

Ler um livro, repetidamente: isto é, fazer um estudo especial de algum livro isolado, lendo-o, muitas vezes, dia após dia. Isto é sobremaneira útil. Mas não se deve passar tempo demasiado longo nesse sistema, para que não se negligencie o resto da Bíblia.

Leitura em grupo. Que maravilha seria se uma classe bíblica, sob a direção do seu professor, ou uma congregação, sob a liderança do seu pastor, lesse a Bíblia EM CONJUNTO, o professor, ou o pastor, aos domingos, ensinando ou pregando sobre as Escrituras lidas na semana anterior. Por que não? POR QUE NÃO? Um pastor e seu rebanho não poderiam melhor andar com Deus pela vida afora do que assim em comunhão ao redor da Palavra Divina.

Fonte: Manual Bíblico de Halley


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Repensando a minha fé


Foi em meados de 1993, para ser mais específico em 27 de agosto deste ano, que eu, depois de quase seis anos sem pisar em uma igreja evangélica, resolvi, novamente frequentar a Casa de Oração. No começo, tudo o que vi me remetia para os doze primeiros anos de minha vida, de minha infância. Os louvores que catavam ainda me faziam lembrar os hinos que ouvia e a uns seis anos não ouvia mais. A velha Harpa Cristã era muito utilizada, seus hinos me faziam lembrar, dos cultos de “porta fechada”, onde só os “autorizados” podiam entrar, só os “membros em comunhão” tinham o direito de estar presente, os “desviados”, os “não crentes”, os “disciplinados”, não tinham direito de participar. Porque? Até hoje não entendi direito. Eu entrava com minha mãe porque ainda era criança. Não entendo porque as pessoas eram proibidas de entrar, nunca vi nada que viria “escandalizar” algumas destas pessoas que citei. Talvez as proibições fossem devido as “profecias” que sempre eram “entregues” pelos “vasos de Deus” e os “pecadores” não entenderiam. Talvez a proibição fosse para que, os que de joelhos orassem pudessem orar com mais liberdade, com o rosto no chão como alguns irmãos gostavam de fazer e alguém poderia estranhar. Talvez é porque o estudo bíblico fosse se tornar mais agudo e o pastor fosse usar algumas exortações mais severas para advertir a igreja contra o mal testemunho e as “fofocas ministeriais” que ele ficou sabendo por “divina revelação”, e que agora precisava ser denunciada ‘pelo poder da palavra”. Existia também um outro fator que os “pecadores” não deveriam escutar porque poderia gerar escândalo, seriam os assuntos ligados a usos e costumes, tão enfatizados nas “doutrinas das igrejas” daquela época. Ao vociferar do púlpito, os pregadores sempre enfatizavam que as “igrejas da porta larga”, eram o tema do sermão de Cristo em Mt 7.13-14 e que devíamos “fugir” da tentação de não “renunciar ao mundo”. Se nos aproximássemos destas “igrejas”  seríamos seduzidos por suas “facilidades” para entrar no Reino de Deus. Mas a igreja que aceitei a fé, já era bem diferente daquela de minha primeira infância, porque se os hinos eram parecidos, usávamos a Harpa Cristã e cantávamos os “corinhos” conhecidos de quase todos daquela época, tais como “Vai Abalar”, “Bate Palmas pra Jesus” e “Caminhando eu vou para Canaã”. Quanto as roupas que se podiam usar nesta igreja, havia um pouco mais de exigência do que aquelas da igreja de minha infância. As saias das irmãs tinham que ser bem abaixo dos joelhos, os homens não podiam usar bermudas de jeito nenhum, os cabelos das mulheres não podiam nem sequer ver tesoura, já os cintos só podiam ser usados pelas mulheres se não passassem de dois dedos de largura. As calças e as sais jeans eram proibidas, se alguém ousasse usa-las era tido por rebelde e desobediente, contudo não ficava disciplinado, era apenas admoestado para que abandonasse tal “costume mundano”. Esta igreja era diferente porque todos seus cultos eram de portas abertas, todos públicos, apesar que muitas, mais muitas vezes mesmo, a pregação e o louvor era tão ruim, que eu desejava que fossem com as portas fechadas.

Fui “doutrinado” que “homem de Deus” não usava barba, cavanhaque, costeleta grande e cabelo no estilo dark ou punk era coisa de “gente sem Deus”. Os anéis eram vaidades, só a aliança era permitida, aliás, era obrigatória no dedo dos casados, se não usassem poderiam até ser disciplinado, tirados da comunhão ou “colocados de banco”, como diziam os irmãos mais idosos. Foi neste ambiente que dei os primeiros passos depois de meu “período fora da igreja”. Ali com pessoas que não tinham “olhos para as coisas do mundo”, foi que aprendi a orar, a jejuar, a ler a bíblia de verdade, pois quando lia na infância era mais por obrigação do que por devoção. Aprendi que homem de Deus devia ser santo não só nas roupas, mas também no coração. Aprendi que Deus é justo e pune o pecador quando este lhe desobedece. Aprendi que toda maldade será castigada e toda justiça será galardoada. Aprendi que pastor é santo e pessoas de outras religiões são candidatos ao inferno porque não criam no que eu cria.

Certo dia, ousei ler um livro de outra denominação, depois ousei de novo ler outro livro, agora “secular” (não escrito por crente), depois ousei ouvir um pregador de outro ministério, fui gostando disto e semelhante ao personagem que se libertou no “Mito da Caverna de Platão”, eu ousei buscar enxergar e perceber uma réstia de luz que brilhava em minha escuridão religiosa. Ousei questionar os onipotentes detentores da verdade evangélica tradicional. E sem perceber algo dentro de mim foi mudando.

Os cantores “certos” eram aqueles de “testemunho cristão comprovado”. Este testemunho era percebido segundo meus líderes no seguinte, eles deveriam aparecer nas capas dos LPs, (tem gente que nem sabe o que é isto), com “roupas de crente”, “cabelos de crente” e tinham que gravar na “gravadora de crente”, que por sinal era a gravadora da denominação.
Não demorou muito para chegar as advertências: - Cuidado com a apostasia! Conheço muita gente que começou como você e hoje está lá no mundo! Mas a maior de todas as heresias de minha mocidade foi quando me matriculei em um “Curso de Teologia”. A esta altura do campeonato já não estava tão preocupado com a opinião de certas pessoas. O problema foi as retaliações. Do púlpito comecei ouvir indiretas. Comecei ouvir pregações criticando a busca de conhecimento e a tentativa de saber além “do meu grau de fé”.

Quando então fui visto com minha namorada no ponto de ônibus sem a companhia de uma pessoa casada como era recomendado, até reunião teve na igreja para tratar de meu desvio de conduta.

Hoje depois que cerca de vinte anos se passaram, vejo como as coisas mudaram, apesar de ainda termos muitas denominações que pratiquem tal policiamento sobre seus membros, temos alguns assuntos mais graves para tratar nas igrejas evangélicas. De lá para cá muitas modas surgiram e desapareceram em nosso círculo cristão. De rosa ungida á tapete santo. De pedaço da cruz de Cristo á água de Rio Jordão. De sal grosso até caneta ungida. Já vi de quase tudo. Já vi pastor soprando para outras pessoas serem cheias do Espírito Santo e vi pessoas emotivamente caírem às dezenas após receber tal sopro divino. Já ouvi no rádio que um líder de igreja aqui em São Paulo ia sobrevoar a cidade, por que Deus mandou ele ungir o território por que Deus ia transformar a cidade através da unção que despedaça o julgo.

Em meio a tantas situações constrangedoras para o povo de Deus, tenho visto também muita gente séria. Pessoas que durante estes vinte anos que recebi a graça de Cristo, tem se mostrado verdadeiros servos de Deus. Homens e mulheres, jovens e adolescentes e até algumas crianças que hoje já são adultos, cuja vida refletem o caráter de Jesus e me impulsionam no sentido de acreditar que nem tudo está perdido. Enquanto alguns ‘apóstolos” compram fazendas com o dinheiro dos fiéis e outro se elegem para cargos públicos em Brasília com o voto de boa fé de sua comunidade e nem lá ,pisam direito, outros estão vendendo o almoço para comprar a janta, mas não deixam de amr, zelar e cuidar do rebanho que deus lhes confiou. Pessoas que trabalham as vezes oito, dez ou até doze horas no dia e depois vão para suas “pequenas igrejas” e pregam como o apóstolo Paulo, proclama a verdade do Reino com o João Batista, destilam a graça de Deus para os gentios como Pedro fez na casa de Cornélio (At 10). Como diz o escritor da carta aos Hebreus quando afirma que de homens como estes o mundo não é digno!

Hoje não estou mais preocupado se a irmã veio de saia, coque no cabelo, cinto de dois centímetros de largura ou se veio de calças jeans, brinco nas orelhas ou batôn nos lábios. Minha grande preocupação hoje como pastor é que esta pessoa, que entra pelas portas de nossa igreja, se sinta amada por Deus, acolhida pela igreja, especial para Cristo e que ao sair tenha certeza que não veio á um ambiente onde foi julgada, analisada ou reprovada. Meu maior desejo é que esta pessoa durante o culto participe da nossa singela reunião e possa ser tocada pelo Espírito, encorajada pela palavra e renovada na adoração, para que seu amanhã seja melhor do que o seu hoje. Que amanhã ela se sinta mais amada por Deus, pois assim ela poderá compartilhar deste amor com alguém, pois nós só podemos dar aos outros, aquilo que de alguma forma nós já temos, porque recebemos de alguém. Hoje percebo que nem sempre o pecador é punido ou o justo galardoado em seguida. Percebo o quanto Deus é amoroso a ponto de dar seu filho para nossa salvação. Percebo que em seu grande amor o justo se tornou pecado em meu lugar, percebo que quem podia julgar e condenar perdoou e deu uma nova chance, percebo que eu preciso refletir mais a graça e o amor daquele que se entregou em meu lugar. Busquemos a cada dia sermos mais parecidos com Jesus.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Feliz 2014

                              Foto: Estamos chegando ao final de 2013. Foi um ano maravilhoso cheio de desafios, conquistas e vitórias. porém também foi um ano de lágrimas, hora lagrimas de tristeza, hora lágrimas de alegria. O último dia chegou. Com ele a expectativa do ano que amanhã se iniciará. Agradeço à Deus por cada dia que vivi e agradeço também por aqueles que ainda viverei. Agradeço à Deus por tudo o que ele fez e por aquilo que Ele ainda fará. Agradeço pela vida de minha família, agradeço pela vida de minha fiel companheira Denise Santana, louvo à Deus pela vida de meus três filhos, tesouros que o Pai me deu. Rendo graças também pela vida dos amigos, irmãos e vizinhos, que com sua presença tornaram este ano mais bonito e emocionante de ser vivido. Louvo à Deus pela vida dos irmãos e amigos do Ministério Elim Brasil que tornaram estes 365 dias mais maravilhosos. Agradeço pela Igreja Elim Pq.Brasil que pastoreio, pelo carinho, amizade e afeto que me tem dedicado. Que venha 2014 com todas as suas surpresas, alegrias e desafios. Como ministrei no domingo, vamos entrar o ano novo com novas atitudes, procurando ser mais parecidos com Jesus cristo o nosso Mestre e exemplo maior e que busquemos para o ano novo o coração mais semelhante ao de uma criança, que sabe perdoar, se contentar e sonhar com mais facilidade. Coragem amigos eu Desejo a vocês  um feliz Ano Novo com 365 dias de felicidade; 53 semanas de saúde e prosperidade; 12 meses de amor e carinho; 8760 horas de paz e harmonia; Que neste novo ano você tenha 2014 motivos para sorrir. FELIZ ANO NOVO PARA TODOS E NÃO SE ESQUEÇA EM CADA DIA DEUS ESTARÁ CONTIGO. Não há nada que você faça para que Deus te ame mais e não há nada que você faça para que Deus te ame menos. que venha 2014!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Chegamos ao final de 2013. Foi um ano maravilhoso cheio de desafios, conquistas e vitórias. Porém também foi um ano de lágrimas, hora lagrimas de tristeza, hora lágrimas de alegria. O último dia chegou e passsou. Com ele a expectativa do ano que se iniciou. 

Agradeço à Deus por cada dia que vivi e agradeço também por aqueles que ainda viverei. Agradeço à Deus por tudo o que ele fez e por aquilo que Ele ainda fará. Agradeço pela vida de minha família, agradeço pela vida de minha fiel companheira Denise Santana, louvo à Deus pela vida de meus três filhos, tesouros que o Pai me deu. 

Rendo graças também pela vida dos amigos, irmãos e vizinhos, que com sua presença tornaram este ano mais bonito e emocionante de ser vivido. 

Louvo à Deus pela vida dos irmãos e amigos do Ministério Elim Brasil que tornaram estes 365 dias mais maravilhosos. Agradeço pela Igreja Elim Pq.Brasil que pastoreio, pelo carinho, amizade e afeto que me tem dedicado. 

Que venha 2014 com todas as suas surpresas, alegrias e desafios. Como ministrei no domingo passado, vamos entrar o ano novo com novas atitudes, procurando ser mais parecidos com Jesus cristo o nosso Mestre e exemplo maior e que busquemos para o ano novo o coração mais semelhante ao de uma criança, que sabe perdoar, se contentar e sonhar com mais facilidade. 

Coragem amigos, eu Desejo a vocês um feliz Ano Novo com 365 dias de felicidade; 53 semanas de saúde e prosperidade; 12 meses de amor e carinho; 8760 horas de paz e harmonia; Que neste novo ano você tenha 2014 motivos para sorrir. 

FELIZ ANO NOVO PARA TODOS E NÃO SE ESQUEÇA EM CADA DIA DEUS ESTARÁ CONTIGO. 

Não há nada que você faça para que Deus te ame mais e não há nada que você faça para que Deus te ame menos. que venha 2014!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Teologia do Nenê - Luiz Saião

                                               

É uma infantofobia geral. A discriminação é total. Os nenês não têm vez. A mídia apresenta com freqüência a defesa dos direitos dos mais diversos grupos. O direito dos negros, árabes, mulheres, índios, adolescentes, e outros grupos são manifestos. Até as mais diversas preferências sexuais também recebem sua apologética! Animais silvestres, plantas raras, gatos e cachorros também são contemplados. Até objetos cúlticos populares são protegidos legalmente contra a discriminação.

Já no caso dos nenês, isso não acontece! Os milhões de abortos praticados são “entendidos” a partir dos “problemas sociais”. As centenas de nenês abandonados pelos pais merecem apenas dó; mas, as mães, é claro, não têm culpa. Se elas tivessem matado uma arara, aí sim, seria um crime inafiançável, mas abandonar um nenê… Temos de entender o que as levou a fazer isso. Não podemos julgar! Os nenês jogados pela janela pelas mães ou maltratados em casa deviam ter maturidade para entender que as mães e as mulheres têm problemas de depressão e de estresse. Infelizmente, não existe o sindicato de defesa dos nenês para reclamar o direito dos mesmos. Assim, a infantoclastia se generaliza.

Na Bíblia, porém, não é assim. Os nenês têm lugar especial. Ainda que a maioria dos religiosos e teólogos não se importe muito com eles também. Nem mesmo os teólogos libertários, mais atentos a causas sociais, importam-se com os nenês! No caso de Deus, é diferente. É impressionante como Deus gosta de nenês! Para começar, sua primeira ordem para o primeiro casal criado é simples: “Sejam férteis e multipliquem-se!”, ou seja: “Tenham nenês” (Gn 1:28). Quando Deus constrói sua história de salvação através da Bíblia, os nenês têm papel importante. E tem mais! Nunca nenhum deles voltou-se contra Deus!

A preocupação dos patriarcas escolhidos por Deus em Gênesis era ter nenê! Abraão, o homem de fé, só ficou realmente feliz quando nasceu o nenê de Sara, sua mulher. A alegria foi tanta que o nome do nenê era “riso”, significado do nome Isaque (Gn 21:5-6). Depois, quando Rebeca, mulher de Isaque, tem dificuldades de ter nenê, mais uma vez, a bondade de Deus manifesta-se: nasce um nenê, ou melhor, dois: Esaú e Jacó. A história da redenção divina poderia concentrar-se em batalhas ou em visões apenas, mas Deus faz questão de mostrar a primazia do nenê. Toda vez que alguma coisa especial vai acontecer, lá está, adivinhe, o nenê.

Um pouco mais adiante, a situação do povo ficará muito difícil no Egito. Quem surgirá para libertar o povo? Um anjo? Um arcanjo? Que nada! De novo, um nenê. Moisés, o nenê, que era um menino bonito e extraordinário (At 7.20), foi o grande libertador. Os maus odeiam os nenês, por isso, Moisés é o grande sobrevivente do holocausto contra os nenês, promovido no Egito pelo faraó. Lembre-se, quando mais perverso, mais ódio aos nenês. Esse foi o caso de faraó (Ex 1.22) e de Herodes, nos tempos de Jesus (Mt 2.16-18). No final da época dos juízes, no momento mais crítico da história do povo, outro nenê, muito esperado, vai fazer diferença. Graças às orações de Ana e à bondade divina, Samuel, o nenê, chegou trazendo esperança para Israel (1Sm 1.20).

A supervisão divina na formação de um nenê merece atenção especial na Bíblia. O salmista dá-nos os detalhes, valorizando o nenê ainda não nascido, digno perante Deus, sem valor para os homens maus: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Sl 139:13-18).

No aspecto teológico, os nenês também estão numa situação privilegiada. Por exemplo, a relação dos fiéis genuínos com Deus tem como paradigma “os nenês”: “Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste” (Mt 18.10). Quando chegamos ao campo da hermenêutica, ou da recepção e compreensão da revelação divina, novamente a vantagem é de quem é mais parecido com um nenê: “Naquela ocasião, Jesus disse: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos (literalmente “nenês”). Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado’.” (Mt 11.25-26).

Hoje em dia há uma grande discussão litúrgica na igreja. Qual é o louvor correto? Que instrumento usar? Que estilo é melhor? Tradicional? Avivado? Contemporâneo? Devemos louvar de frente? De costas? Sem costas? De lado? Tudo bobagem! Quem tem a resposta? De novo, os nenês! Basta ler a Bíblia. E lhe perguntaram: “Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo?” Respondeu Jesus: Sim, vocês nunca leram: Dos lábios das crianças (literalmente “nenês”) e dos recém-nascidos suscitaste louvor?” Aqui é até mais fácil entender: nenês não vendem CDs, não cantam para aparecer, são absolutamente sinceros e não têm palavreado vazio de crente!

Talvez esta primazia dos nenês e a predileção divina por eles explique o ódio contra os pobres pequeninos. Imaginem só: no mundo “civilizado”, é um “direito” matar nenês antes que nasçam, mas … tudo dentro da “lei”, como na época do estado nazista de Hitler. O chamado primeiro mundo está sofrendo por falta de nenês. As pessoas instruídas, cultas e ricas não gostam de nenês. Isso pode diminuir o valor delas na sociedade! Os psicólogos estão mostrando que muitas pessoas têm problemas sérios hoje porque foram maltratados quando eram nenês. Infelizmente, há até comércio de nenês! Que horror! Cuidado! O Deus, que é o Deus dos nenês, pode ficar irado e resolver agir!

A grande verdade é que o lugar do nenê é tão especial que Deus resolveu invadir a história humana na figura de um nenê. Em vez de descer diretamente do céu, ou de chegar repentinamente com um exército celestial para implantar Seu Reino, Deus preferiu a forma mais sublime de aproximar-se do homem: Vir como um nenê. Veja o que diz Lucas: “Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2:6-7)

Diante disso, vale aqui lembrar as palavras de Madre Teresa de Calcutá, que parece ter percebido grande parte dessa importante realidade: “Temos medo da guerra nuclear e dessa nova enfermidade que chamamos de AIDS, mas matar crianças inocentes não nos assusta. O aborto é pior do que a fome, pior do que a guerra”.

Aqui vai um conselho espiritual. Antes de ler a Bíblia e de fazer uma oração, procure um nenê, de preferência dormindo, e gaste dois minutos em silêncio olhando bem para ele. Pronto! Você está pronto para meditar e orar. Depois de tudo isso, acho que está na hora de parar por aqui. Já escrevi muito. Como um nenê, desculpem-me, preciso chorar.