segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Parábola da águia e da galinha - Leonardo Boof


                            




Era uma vez um camponês que foi a floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa.

Conseguiu pegar um filhote de águia. Coloco-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.

Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
 
- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
 
- De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha. Ela não é mas uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
 
- Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar ás alturas.

 - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: - já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:
 
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
 
- Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia.
 
E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
 
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
 
- Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!
 
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
 
O camponês sorriu e voltou à carga:
 
- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!

- Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia.

Vamos experimentar ainda uma ultima vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e 
ordenou-lhe:
 
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
 
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
 
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre se mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...
 
E Aggrey terminou conclamando:

- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos . Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.




Obs: Parábola do livro: “O despertar da águia”, do autor: Leonardo Boff, Editora:Vozes, Petrópolis, RJ, ano: 2004.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Os relacionamentos são muito importantes!


                                     



 "São os relacionamentos que nos ferem.

Mas são os relacionamentos que Deus usa para nos curar".

 


Como vai seu relacionamento conjugal? Continua alegre, leve e comunicativo ou se tornou tedioso, cansativo e monótono? Como vai sua comunicação com seus filhos? Aberta, informal, fluente e descontraída ou se tornou tensa, cheia de gritos e palavrões? Como vai seu relacionamento com os amigos? Tem encontrado espaço para desabafar, falar de seus sonhos e desejos, medos e decepções, frustrações e desencontros ou já não tem mais coragem de desabafar com eles porque a confiança acabou? Como vai teu convívio com a sua comunidade de fé? Está emocionante, harmonioso e cheio de desafios, ou ir a igreja se tornou um fardo quase impossível de carregar? Quando você entra no templo qual a sensação que te invade? Alegria? Gratidão? Paz? Ou a tristeza, o desânimo e a desilusão tem sido suas companheiras nos domingos que frequenta a igreja? Como vai sua vida com Deus? Ainda tem tempo para falar com ele revelar seus sentimentos, sonhos e frustrações ou Ele não tem mais espaço em sua agenda repleta de compromissos?

Na vida todos os nossos relacionamentos passam por altos e baixos. Toda relação tem períodos fantásticos e épocas sofríveis. Toda associação, parceria, alianças e pactos, pois é isso que os relacionamentos são, passam por dias tempestuosos e mares bravios.
Se você tem dificuldades em seu relacionamento com cônjuge, filhos, amigos, igreja, emprego e chefes, vizinhos e parentes, Deus, entre outros, bem-vindo ao clube, você não esta só neste barco, tem mais de seis bilhões de seres humanos passando por situações semelhantes.

Com o passar do tempo todo relacionamento, conjugal, fraternal, profissional, eclesiástico, social, seja lá qual for, enfrentará crises e decepções, frustrações e desalentos, esfriamentos e indiferenças. Chamamos isto de "desgastes". É semelhante a uma máquina que trabalha horas a fio e de repente começa a dar sinais de que existe algum problema, é hora de fazer a manutenção. É preciso trocar alguma peça, lubrificar outras, trocar o óleo, fazer reparos técnicos. Geralmente nesta hora algum profissional competente é chamado e faz duas coisas.
Primeiro é feito o diagnóstico, onde aponta possíveis problemas, avarias e causas do mau funcionamento.
Em segundo lugar ele mostra o prognóstico, apontando soluções cabíveis para trazer saúde técnica para a máquina em questão.
Nossos relacionamentos precisam ser observados de perto e frequentemente. É comum o tempo desgastar até mesmo os relacionamentos mais saudáveis que existem.
Semelhante a uma máquina, nossos relacionamentos começam a enviar sinais de problemas que existem ou que se avizinham. Nossa tendência é ignorá-los.
Agimos como se nada estivesse acontecendo e depois nos deparamos com um divórcio, demissão, fim de uma amizade, afastamento da nossa comunidade de fé que é a nossa igreja, as pessoas se afastam de Deus, enfim não atentamos para os sinais que nos chegam diariamente.

TITANIC O AVISO

O navio transatlântico Titanic da British White Star Line, foi o maior objeto móvel já construído pelo homem até então. Media cerca de 273 metros (ou seja, quase quatro campos de futebol) por 40 metros de largura e uma altura aproximada de um prédio de 150 andares. Saiu do Porto de Southampton, na Inglaterra, no dia 10 de Abril de 1912 com destino à Nova Iorque, transportando aproximadamente 2.223 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes. Às 23h40 do dia 14, colide com um iceberg e afunda duas horas e meia depois. Foi o desastre marítimo mais famoso do Século XX e é até hoje. Jack Philips e Harold Bride eram as pessoas responsáveis de repassar ao comandante do navio mensagens de novidades no mar como de icebergs que poderiam afundar o navio, contudo ignoraram avisos que chegaram e acharam que não eram tão importantes, quando o alerta soou já era tarde demais não dava mais para desviar a grande nau e assim 1.523 pessoas morreram na tragédia”.(1)

Noto que quando um relacionamento está desgastado, não conseguimos mais ver as qualidades do outro, os motivos que uniram as duas partes são esquecidos, o foco já não é mais nas qualidades que unem, mas nos defeitos que separam, os diálogos que são usados para construir desaparecem e quando surgem só servem para colocar mais sal nas feridas. Neste ponto algo tem que ser feito ou então a separação, o fim do relacionamento, o término da aliança, a quebra do vínculo é iminente.
Tudo o que está ruim pode melhorar. Mas tudo o que está bom pode piorar.
É preciso repensar os nossos relacionamentos. Nada sobrevive sem cuidados. Nossos relacionamentos nunca serão saudáveis se descuidarmos e "deixarmos a vida levá-los".
Ter bons relacionamentos na vida não é obra do acaso, mas também não é tarefa impossível. Pois com diligência, esmero e empenho podemos e ter mais qualidade de vida relacional. 

TRÊS TIPOS DE RELACIONAMENTOS

 

Poucos assuntos são tão importantes na vida quanto o dos relacionamentos.

Quando falo de relacionamentos, este tema em minha mente é visto de três ângulos:

 

 Relacionamento com Deus. Acredito piamente que a vida só poderá ser vivida na sua plenitude, se estivermos bem com Deus.

 Durante todas as escrituras sagradas este assunto é redundante:

 Já no Éden, encontramos Deus se relacionando com Adão, colocando este no jardim que Ele criou e dando ao primeiro homem a incumbência de cuidar do paraíso, o lavrando e o guardando.

E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim  do Éden para o lavrar e o guardar.                                                                                                              (Gn 2.15)

 

Relacionamento com as outras pessoas. Ainda no primeiro livro da bíblia, vemos o primeiro relacionamento entre pessoas desenrolar-se. Adão recebe de Deus um presente maravilhoso que foi a sua companheira Eva. Enquanto o primeiro homem dorme um sono profundo, o Criador tira dele uma costela e desta, forma a primeira mulher.

 

E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.
Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.
E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.
Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar;
E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. (Gn 2. 18-22)                                         

 

Inicia-se assim o primeiro relacionamento familiar e como fruto desta relação conjugal, nascem dois meninos, o primeiro chamado Caim e o segundo Abel.

                                                   
E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem.
E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.                                                                                                           ( Gn 4.1-2 )

 

Relacionamento com a vida. Chamo assim todas as situações e circunstâncias que a humanidade enfrenta no dia a dia, o trabalho, as enfermidades, os desafios, as oportunidades, as lutas, as alegrias, as frustrações, as vitórias, os fracassos, os sonhos, as desilusões, as perdas materiais, as dores existenciais, as decepções, a morte de entes queridos e até o fim de sua própria existência.

 

São os relacionamentos que nos ferem, contudo são os relacionamentos que Deus usa par nos curar. Esta verdade eu tenho experimentado ao longo de trinta e sete anos. Quando somos feridos, o desejo é de se isolar, se afastar das pessoas, abandonar  relacionamentos, o desejo é remoer a dor, guardar ressentimento, alimentar o desejo de vingança e de justiça.

 

Porém quando fazemos o contrário nos entregando em novas amizades, se aproximando de gente, tentando ser empático, buscando perdoar o ofensor, percebo que Deus começa a transformar o nosso sofrimento em experiências do passado, começa a usar a nossa dor par nós curarmos a dor alheia, compreendendo melhor a ferida no coração dos outros e passamos a ser um

canal de bênçãos nas mãos de Deus para a cura do próximo, e neste processo Deus também nos cura.

 

A minha proposta aqui é que você repense os seus relacionamentos como eu fiz nos últimos meses enquanto escrevia estes textos.

 

Pode ser que seus relacionamentos estejam muito bem ou talvez não.  O que afirmo sem medo de errar é o seguinte: tudo o que está bom pode melhorar. Se você esta vivendo os melhores dias em seus relacionamentos, parabéns,fico feliz por você, todavia se tudo vai mal, deixa eu te dizer uma coisa, ainda resta uma esperança, enquanto estamos vivos é porque a nossa missão ainda não acabou. Deus tem com certeza uma nova fase para sua vida, o melhor de Deus ainda está por vir, nem tudo esta perdido, vire a página da sua vida, Deus sempre tem uma nova oportunidade para nós.

 

Venha comigo nesta viagem, vamos repensar os nossos relacionamentos, com Deus, com as pessoas e com a vida.

 

 

 







            

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Convém que o bispo seja casado - João Pereira de Andrade e Silva (Dica de leitura)

                                                  

Um encontro, um esbarrão casual, os olhares se cruzam e tudo começa. Um jovem padre se apaixona pela filha mais nova de um rico fazendeiro de sua paróquia. Embora o amor seja correspondido, o casal enfrenta muitas dificuldades, preconceitos, perseguições e até violência...

Thais a bela do Éden - Marta Doreto de Andrade (Dica de leitura)

                                          


Pela milésima vez, ela retira o anel do dedo e lê, no fino aro de ouro, o nome ali gravado: Arthur. 


Fita um a um os caracteres levemente inclinados daquele nome, como a esperar que lhe evoquem algo. 


Assim começa a história de Thaís, a jovem que, na concretização de um ideal, a obra missionária, viu-se obrigada a lutar por um amor que o tempo não pôde apagar.

domingo, 8 de julho de 2012

Jesus o amigo certo das horas incertas

                                                


Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. 

                                                                                                                    (João 15:15)


Hoje é domingo, o dia está frio e chuvoso, choveu a noite inteira, pude dormir um sono tranquilo e em paz ao lado da mulher que amo. Antes de me deitar fui ao quarto das crianças e as observei, dormindo como três anjinhos, agradeci ao Pai pela sua presença, auxílio e cuidados.

Mas enquanto estou grato por tudo de bom que tenho recebido, sei que muitas pessoas estão vivendo verdadeiros "tsunamis" em suas vidas. Eu mesmo já tive os meus. Nos quatorze anos de casamento, já estive com minha esposa sete vezes na ante sala de cirurgia, dois meses atrás foi a vez de ver minha filha ficar internada correndo grave risco de uma infecção generalizada devido a negligência médica, já vivi a dor de perder alguém que amava muito, que foi o meu querido pai, após uma internação e infecção bronco-pulmonar. Já vivi dias angustiantes sob a perspectiva de perder meu filho caçula, quando ainda era um feto na barriga de minha esposa, o que graças à Deus não ocorreu. 

Como pastor já oficiei diversos velórios e cerimônias fúnebres, de pessoas de minha comunidade de fé e de seus entes queridos. Visitei pacientes em estado terminal em hospitais ou até em suas casas, liberados pelo seu médico para estar com a família em sua  hora derradeira.

Percebo que a fé em Jesus Cristo tem sido um diferencial para aqueles que nele creem na hora de  enfrentar as grandes "peças que a vida nos prega", as pessoas que não perdem a sua fé e esperança conseguem enfrentar os dilemas com probabilidade bem maior de não carregarem sequelas em suas vidas ao longo dos anos.

 A presença invisível, mas real do Emanuel (Deus conosco) se transforma em um escudo protetor ao mesmo tempo que é um bálsamo para as feridas da alma.

Jesus nunca nos prometeu vida fácil ou uma passagem pela existência terrena livre de todas as dores, afinal "Ele só teve um filho sem pecado mas não teve nenhum que nunca sofreu", mas como quem viveu os mais terríveis males Ele se torna para nós o amigo certo das horas incertas.

O poeta sacro R. H. Moreto, descreve o amigo Jesus nas seguintes frases de um hino muito cantado nas tradicionais igrejas evangélicas:

Quão bondoso amigo é Cristo!
Carregou co'a nossa dor,
E nos manda que levemos
Os cuidados ao Senhor.

Falta ao coração dorido
Gozo, paz, consolação?
Isso é porque não levamos
Tudo a Deus em oração.

Tu estás fraco e carregado
De cuidados e temor?
A Jesus, refúgio eterno,
Vai com fé teu mal expor!

Teus amigos te desprezam?
Conta-lhe isso em oração,
E com Seu amor tão terno,
Paz terás no coração.

Cristo é verdaadeiro amigo,
Disto provas nos monstrou,
Quando p'ra levar consigo
O culpado encarnou.

Derramou Seu sangue puro
Nossa mancha p'ra lavar;
Gozo em vida e no futuro
NEI' podemos alcançar.

A presença de Cristo na vida de seus apóstolos e amigos foi o diferencial para eles enfrentarem tudo na vida e para nós a certeza que temos este amigo e sacerdote eterno do nosso lado, nos confere a confiança necessária para irmos em frente apesar dos pesares. 

Como já cantavam as crianças nos corais infantis na minha infância: "...com Cristo no barco tudo vai muito bem e passa o temporal..."

Salomão declarou que existem amigos mais chegados do que um irmão (Pv 18.24)

Na hora da dor e do sofrimento, nada cura mais as feridas da alma do que o apoio e o cuidado de uma mão amiga, o carinho de quem nos ama e é neste amor e nestes cuidados que Jesus se revela. 

Jesus disse que nós seriamos seus amigos se houvesse obediência de nossa parte a sua palavra. (Jo 15.14) e uma das suas ordenanças foi amar ao próximo (Jo 15.17) pois é no cuidado, no amor e na dedicação ao outro que revelamos o nosso amor à Deus Pai e a seus filhos os homens.

Salomão também afirmou que é na angustia que o amigo se torna irmão. (Pv 18.24)

Se pararmos para pensar, veremos que nossos maiores amigos são fruto de convivência de longa data, são amizades edificadas não só em bons momentos, de prazer e alegria, mas e principalmente em dias maus, de terrível dor, aflição e adversidades, pois é no calor da angustia que as grandes amizades são forjadas. 

Nossa caminhada com Jesus Cristo se aprofunda é na hora dos maiores embates e conflitos existenciais, na hora em que parece que estamos totalmente sós e desamparados sua presença invisível mas real se revela e nos dá a força, nos dá o amparo e a esperança necessária para não desistirmos da vida, dos sonhos, da família, do ministério, das pessoas e do nosso relacionamento com Ele.


"A amizade e o amor são dois elos que quando verdadeiros, andarão sempre de mãos dadas e nada nem ninguém conseguirá destruir. "

                                                                            (Anabela de Jesus Soares) 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Repensando o nosso papel de liderança cristã: A liderança do rei Davi


                                              

O trabalho em equipe é um princípio básico da liderança eficaz, inclusive na causa do Senhor. Se quisermos ser bem sucedidos na obra de Deus não devemos esquecer este princípio.

Definições:
1.     Liderar significa levar outras pessoas a cooperar e adotar o teu projeto, como se este fosse um projeto delas.
2.     Liderar significa influenciar outras pessoas a te seguirem sem que para isto seja necessário ameaçar ou forçar submissão.
3.     Liderar significa criar um ambiente de co-responsabilidade, onde cada membro da equipe conhece seu papel e trabalha voluntariamente para o sucesso de todos.
Dentre tantas lições, que Davi tem para nos ensinar, uma das mais patentes é a sua capacidade de liderança.
Desde sua aparição, como pastor de ovelhas, até a sua morte, quando momentos antes de partir para a eternidade ordenou a coroação de Salomão para ser seu sucessor, Davi demonstrou enorme capacidade de liderança, cuidando das ovelhas de seu pai e lhes preservando a vida, enfrentando o gigante, Golias, diante de um experiente exército de soldados de Saul e dos inimigos filisteus, em suas vitórias como capitão do primeiro monarca de Israel, nas inúmeras batalhas contra os inimigos do povo de Deus, liderando um bando de cerca de seiscentos mercenários a serviço de quem melhor pagasse, liderando Judá e Benjamim e depois todo o reino unido das doze tribos dos hebreus.
Davi se destacou pela sua liderança eficaz, cravando definitivamente seu nome na História de Israel, tanto nas esferas, social, militar e política quanto na esfera espiritual.

O período que Davi reinou em Israel foi singular, esta nação nunca foi tão bem sucedida como nos quarenta anos que o “homem segundo o coração de Deus” a liderou.

Davi se destacou como pastor zeloso, guerreiro corajoso, poeta inspirado, estrategista           eficaz, profeta verdadeiro, monarca bondoso e justo, amigo fiel, súdito devoto, político e estadista, enfim líder brilhante.

Davi sempre atribuiu a Deus o seu sucesso e sempre assumiu seus fracassos como sendo conseqüência de seus erros e nunca responsabilizou os outros ou a Deus por eles. Hoje falaremos deste aspecto deste herói da fé, a sua capacidade de liderar.

   LIDERANÇA:

1.     Líder: indivíduo que dirige ou lidera uma equipe com a participação voluntaria dos seus membros.

2.     Três características inegociáveis para um líder cristão:

Caráter íntegro: esta mais associado a essência do indivíduo do que a sua aparência, fala de retidão e justiça, esta associada também as suas motivações.

1 Sm 16.7 “Mas o Senhor disse: – Não se impressione com a aparência nem com a altura deste homem. Eu o rejeitei porque não julgo como as pessoas julgam. Elas olham para a aparência, mas eu vejo o coração.”

Competência individual: fala- nos a respeito do nível de capacidade da pessoa para desempenhar tarefas específicas a contento de quem o designou ou de quem depende deste líder. Muitas vezes o líder não é incapaz, porém ainda não desenvolveu seu potencial plenamente e por isto esta, momentaneamente inapto para determinada função.

Mt 25.14-15 “Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens, e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.”

Vale ressaltar aqui que capacidade é algo que pode e deve ser desenvolvido por quem lidera, observando, estudando e praticando o que aprendeu.

“Se você esta estudando e não esta mudando é sinal que você não esta aprendendo, porque aprender significa mudar”.

Combinação relacional: diz respeito a maneira com que o líder se porta diante de seus líderes e liderados nos relacionamentos. É impossível trabalhar com quem eu não concordo com a maioria de seus ideais e idéias. Nós nunca iremos concordar uns com os outros totalmente porque somos indivíduos diferentes, todavia se faz necessário o máximo de nivelamento possível. Tal combinação é semelhante ao bom funcionamento de um corpo, onde cada membro tem suas funções específicas para o bem de todos que dele dependem.

1 Co 12.12-14  “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e      todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.”

3.     Equipe:  vários dos fracassos assumidos por certos lideres, muitas vezes não são próprios dele, mas se observados mais de perto com “lentes de aumento”, veremos que quem fracassou foi a equipe na incapacidade de comprar a visão mais aguda, larga e experiente de seu líder, porém é muito mais fácil trocar um líder visando o progresso, do que toda a equipe.

4.     A atualidade da liderança davídica: Princípios de liderança sempre serão iguais em todo o mundo porque são verdades universais, a diferença dos que servem a Deus e dos que não o servem é que cada uma das nossas decisões como líderes cristãos devem ter apoio não só no que é popularmente aceito e no que dá resultado, mas também no aferidor maior que é a palavra de Deus

A maneira como Davi liderou a sua vida e suas equipes nos trazem muitas lições tanto positivas como negativas. Davi foi um grande líder, mas não foi um líder perfeito. O que de certo ele fez use para sua inspiração e o que ele fez de errado use para sua advertência, isto para que não venhamos a colher os mesmos frutos amargos que Davi colheu.

CONCLUSÃO:

1.     Nós nunca seremos bem sucedidos no Reino de Deus sem uma equipe para nos auxiliar. Jesus começou chamando doze para o auxiliar, depois chegou  ao número de setenta, no dia de pentecostes já havia cento e vinte que chegou a quase três mil, com a pregação evangelística de Pedro e logo depois a cinco mil discípulos com o segundo sermão deste apóstolo de Jesus Cristo. Hoje somos tantos como a areia da praia e as estrelas do céu, não tente ser melhor que Jesus Cristo querendo fazer tudo sozinho.

2.     Para termos equipes fortes para o avanço do Reino de Deus, precisamos de líderes competentes, íntegros e humildes, dependentes de Deus e que reconhecem o valor das parcerias.

3.     Para ter êxito no Reino de Deus, não basta ter carisma e capacidade tem que ter acima de tudo o caráter cristão de um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A parábola dos talentos e o senhor dos jardins - Ruben Alves

                                  

(Ruben Alves- Correio popular, 21/12/2002)

Jesus sabia que as estórias são o caminho para o coração. Por isso contava parábolas. As parábolas de Jesus eram sempre feitas em torno de situações da vida naquela época. Se ele vivesse hoje suas parábolas seriam diferentes.

Havia um homem muito rico, possuidor de vastas propriedades, que era apaixonado por jardins. Os jardins ocupavam o seu pensamento o tempo todo e ele repetia sem cessar: “O mundo inteiro ainda deverá se transformar num jardim. O mundo inteiro deverá ser belo, perfumado e pacífico. O mundo inteiro ainda se transformará num lugar de felicidade.“ Suas terras eram uma sucessão sem fim de jardins, jardins japoneses, ingleses, italianos, jardins de ervas, franceses. Era um trabalhão cuidar dos jardins. Mas valia a pena pela alegria. O verde das folhas, o colorido das flores, as variadas simetrias das plantas, os pássaros, as borboletas, os insetos, as fontes, as frutas, o perfume... Sozinho ele não daria conta. Por isso anunciou que precisava de jardineiros. Muitos se apresentaram e foram empregados. 

Aconteceu que ele precisou fazer uma longa viagem. Iria a uma terra longínqua comprar mais terras para plantar mais jardins. Assim, chamou três dos jardineiros que contratara, Paulo, Hermógenes e Boanerges e lhes disse: “Vou viajar. Ficarei muito tempo longe. E quero vocês cuidem de três dos meus jardins. Os outros, já providenciei quem cuide deles. A você, Paulo, eu entrego o cuidado do jardim japonês. Cuide bem das cerejeiras, veja que as carpas estejam sempre bem alimentadas... A você, Hermógenes, entrego o cuidado do jardim inglês, com toda a sua exuberância de flores pelas rochas... E a você, Boanerges, entrego o cuidado do jardim mineiro, com romãs, hortelãs e jasmins.“ Ditas essas palavras ele partiu. O Paulo ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim japonês. O Hermógenes ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim inglês. Mas o Boanerges não era jardineiro. Mentira ao se oferecer para o emprego. Quando ele viu o jardim mineiro ele disse: “Cuidar de jardins não é comigo. É trabalho demais...“ Trancou então o jardim com um cadeado e o abandonou. Passados muitos dias voltou o Senhor dos Jardins, ansioso por ver os seus jardins. O Paulo, feliz, mostrou-lhe o jardim japonês, que estava muito mais bonito do que quando o recebera. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu. Veio o Hermógenes e lhe mostrou o jardim inglês, exuberante de flores e cores. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu. Aí foi a vez do Boanerges. E não havia formas de enganar. “Ah! Senhor! Preciso confessar: não sou jardineiro. Os jardins me dão medo. Tenho medo das plantas, dos espinhos, das taturanas, das aranhas. Minhas mãos são delicadas. Não são próprias para mexer com a terra, essa coisa suja... Mas o que me assusta mesmo é o fato das plantas estarem sempre se transformando: crescem, florescem, perdem as folhas. Cuidar delas é uma trabalheira sem fim. Se estivesse no meu poder, todas as plantas e flores seriam de plástico. E a terra seria coberta com cimento, pedras e cerâmica, para evitar a sujeira. As pedras me dão tranquilidade. Elas não se mexem. Ficam onde são colocadas. Como é fácil lavá-las com esguicho e vassoura! Assim, eu não cuidei do jardim. Mas o tranquei com um cadeado, para que os traficantes e os vagabundos não o invadissem.“ E com estas palavras entregou ao Senhor dos Jardins a chave do cadeado. O Senhor dos Jardins ficou muito triste e disse: “Esse jardim está perdido. Deverá ser todo refeito. Paulo, Hermógenes: vocês vão ficar encarregados de cuidar desse jardim. Quem já tinha jardins ficará com mais jardins. E, quanto a você, Boanerges, respeito o seu desejo. Você não gosta de jardins. Vai ficar sem jardins. Você gosta de pedras. Pois, de hoje em diante, você irá quebrar pedras na minha pedreira...“