terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Pacto de Lausanne - Missão Integral


                                 
Sumário
Introdução
1. O Propósito de Deus
2. A Autoridade e o Poder da Bíblia
3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo
4. A Natureza da Evangelização
5. A Responsabilidade Social Cristã
6. A Igreja e a Evangelização
7. Cooperação na Evangelização
8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização
9. Urgência da Tarefa Evangelística
10. Evangelização e Cultura
11. Educação e Liderança
12. Conflito Espiritual
13. Liberdade e Perseguição
14. O Poder do Espírito Santo
15. O Retorno de Cristo
Conclusão
Introdução
Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados
pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.
1. O propósito de Deus
Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.
2. A autoridade e o poder da Bíblia
Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.
3. A unicidade e a universalidade de Cristo
Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se deu uma só vez em resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e o homem. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como "o Salvador do mundo" não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.



4. A natureza da evangelização
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.
5. A responsabilidade social cristã
Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.
6. A Igreja e a evangelização
Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.
7. Cooperação na evangelização
Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.

8. Esforço conjugado de Igrejas na evangelização
Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua eficácia como parte da missão da igreja.
9. Urgência da tarefa evangelística
Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para - eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.
10. Evangelização e cultura
O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões, muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.
11. Educação e liderança
Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiásticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito espiritual
Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e postestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. A igreja tem que estar no mundo; o mundo não tem que estar na igreja.
13. Liberdade e perseguição
É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem impedimentos. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que foram injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Não nos esqueçamos de que Jesus nos preveniu de que a perseguição é inevitável.
14. O poder do Espírito Santo
Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O retorno de Cristo
Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a ideia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

Conclusão
Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

[Lausanne, Suíça, 1974]

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Novo Nascimento


É o tema mais importante do Evangelho, é a esperança de toda a raça humana. Todos os temas bíblicos são edificados em torno dele.

Mas, antes de falarmos sobre o novo nascimento e seus benefícios para o homem, é preciso entender o plano original de Deus em sua criação, como este plano foi interrompido, e como foi resgatado na pessoa de Jesus Cristo.

O plano original de Deus
1. O homem foi criado por Deus a sua imagem e semelhança

Gn 1.27 - “Criou Deus, pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou”.
Gn 2.7 - “Então formou o Senhor Deus do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente”.

2. Ao criar o homem Deus assumiu o compromisso de abençoá-lo
Gn 1.28 - “E Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céus, e sobre todo animal que rasteja sobre a terra”.

3. Ao criar o homem Deus lhe deu uma tarefa: cultivar e guardar o jardim.
Gn 2.15 - “Tomou, pois o Senhor Deus o homem e o colocou no Jardim do Éden para cultivar e o guardar”.

4. Ao criar o homem Deus lhe deu uma ordem: não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal
Gn 2.16, 17 - “E lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente , mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porquê no dia em que deles comeres , certamente morrerás.

5. O homem foi criado com o Livre Arbítrio

Livre arbítrio é a capacidade concedida por Deus ao homem de conscientemente fazer suas próprias escolhas. A Bíblia nos mostra claramente que ao criar o homem, Deus fez ele diferente de todos os demais seres viventes, com inteligência e capacidade de tomar decisões. Isto se evidencia pelo fato de Deus ter dado a ele a liberdade de obedecer ou não a sua ordem quanto à prática do pecado. A seguir veremos que o homem pecou por uma decisão consciente:

Gn 2.17 - “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás ; porque no dia em que dela comeres certamente morrerás”.

Gn 3.6 - “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu”.

O homem no estado de pecado
Livre para escolher entre a obediência e a desobediência a Deus, o homem, incitado pela serpente (Satanás), tomou a decisão errada: desobedeceu, comendo do fruto que Deus havia proibido. Começou, assim no mundo, o pecado com todas as suas terríveis consequências (Gn 3.1-7).
A palavra “pecar” significa “errar o alvo”. Por causa do pecado de Adão e Eva, o plano inicial de Deus foi interrompido, e toda humanidade foi afetada. A Bíblia declara que em Adão:
1. Todos nós nos tornamos pecadores: Rm 3.23 - “Pois todos pecaram e destituídos estão da Gloria de Deus”.
2. Todos nós ficamos espiritualmente mortos: Rm 6.23 - “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso Senhor”.
3. Todos nós ficamos separados de Deus: Is 59.2 - “Mas os vossos pecados fazem separação entre vós e o vosso Deus e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça”.
4. Todos nós recebemos uma herança maldita: Sl 51.5 -“Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe”, Rm 8.7 - Por isso a inclinação na carne é inimizade contra Deus.                                              
5. O homem era incapaz de redimir-se pelo seu próprio esforço: Rm 3.20 - “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”; Gl 2.16 - “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus...”.



O que é o “NOVO NASCIMENTO”?

É o princípio da nova vida espiritual que Deus dá a quem estava espiritualmente morto, por causa do pecado. É a experiência mais marcante na vida  de uma  pessoa e acontece mediante a identificação com o sacrifício expiatório de Jesus na cruz do Calvário. Note o que o próprio Jesus declara sobre o novo nascimento:

Jo 3.1-7 - “Havia entre os fariseus, um homem, chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes se Deus não estiver com ele. A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus . Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Disse Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne: e o que é nascido do Espírito é espírito.”

Jesus estava dizendo que o nosso espírito, morto por causa do pecado lá no Jardim do Éden, deve nascer de novo, para que Deus, que é Espírito, possa reinar em nossas vidas; estava dizendo também que a alma deve se sujeitar com todos os seus anseios ao domínio do Senhor e que a carne deve ser crucificada com todos os seus desejos e valores. 

O Novo Nascimento é descrito nas Escrituras através de diferentes termos

Transformação – mudar a condição, natureza e caráter de algo: Rm 12.2 - “E não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Justificação – É o ato pelo qual um pecador é liberto pela fé, da pena do pecado e é aceito por Deus como justo e digno de ser salvo (Rm 5.1).
Conversão – Fazer mudar de parecer, de modo de vida; mudar a natureza de; substituir; tornar-se diferente.
Regeneração – Construir ou trazer à existência novamente; renovação espiritual (1 Pe 1.23).
Remissão – Compensação, pagamento; perdão, alívio, consolo, etc. (Rm 3.23 e 24).
Reconciliação – É a restauração ao estado original: cura completa do relacionamento, reunindo as partes que estavam em desacordo (Rm 5.10).

Salvação – Libertação, que alguém ou algo necessita ser salvo.

O desejo de Deus é salvar todas as pessoas
Diversas passagens nas Escrituras descrevem que o desejo de Deus não foi salvar apenas algumas pessoas, mas o seu desejo foi “redimir toda a humanidade”.
           Ex: Atos 17.30 – Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora porém notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam
          1 Tm 2.4 – “ o qual deseja que todos  os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”

Como pode então o homem nascer de novo?

O plano de Deus engloba dois aspectos importantes:

1º Aspecto: diz respeito à Graça de Deus. Deus é totalmente Santo e Justo. Isto em seu caráter e em todos seus desígnios. Por isso, após a queda do homem sua ira se acendeu contra este, já que a sua natureza não poderia conviver com o seu pecado. O pecado teria que ser julgado para que, então, o homem pudesse voltar a aproximar-se e relacionar-se com Deus. A única forma de aplacar essa ira santa de um Deus Santo seria através de um substituto, alguém que pudesse levar sobre si todo o pecado da humanidade, e sobre o qual Deus pudesse “colocar” toda a “carga de iniquidade” da humanidade.

Foi então que a bondade e a misericórdia de Deus moveram o seu coração, fazendo enviar o seu próprio filho, também puro e santo, que voluntariamente assumiu sobre si todo o pecado da humanidade. Este ato de bondade e misericórdia de Deus nada mais foi que a manifestação da graça de Deus ao homem, revelada a nós através do seu Filho Jesus Cristo.

Mas o que é a Graça de Deus? Poderíamos definir a Graça como sendo um “favor imerecido”. Ela inclui a longanimidade e paciência de Deus para com todos os pecadores indistintamente. Ela é também, o poder sobrenatural de Deus repartido ao homem para que este, não viva mais preso pelo pecado, mas passe a fazer, com a ajuda do Espírito Santo, aquilo que é correto aos olhos de Deus.

Exemplos de passagens bíblicas que falam sobre a Graça de Deus:

            Rm 11.6 - “E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”.
           Ef 2.8 - “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós é dom de Deus”.

            Tt 2.11 - “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”.
É importante salientar que Deus fez sua parte enviando seu Filho amado, Jesus Cristo, para dar vida a cada um de nós. Conforme João 3:16. 
Jesus também fez sua parte quando voluntariamente decidiu ,morrer em nosso lugar, pagando assim a dívida pelo nosso pecado.
              Ex: Jo 10.17 e 18 - “Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para reassumi-la. Ninguém a tira de mim: pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para reavê-la. Este mandamento recebi do meu Pai”.
              1 Jo 3.16 - “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós...”.

2º Aspecto diz respeito ao homem - Fé, Arrependimento e Confissão: Da mesma forma como o pecado entrou na raça humana por meio de uma decisão             consciente do próprio homem, conforme o seu livre arbítrio, assim também o retorno ao plano original de Deus deve ter sua participação pessoal e voluntária. As três atitudes que são importantíssimas neste processo:

● FÉ: É a atitude que as pessoas conscientemente assumem mediante este sacrifício, ou seja, é a resposta espontânea dos homens ao que Deus e Jesus já fizeram, a qual determinará ou anulará a possibilidade de serem salvos. Ex: Mc 16.16 - Quem crer e for batizado será salvo; quem não crê será condenado; Jo 1.12 – Mas a todos quanto o receberam deu-lhes o poder de sermos feitos filhos de Deus.

● ARREPENDIMENTO: O arrependimento bíblico significa uma mudança plena na velha maneira de viver, uma mudança de atitude (no grego: mudança de mente). O nosso maior problema para com Deus não está nas coisas erradas que fazemos, mas na nossa atitude interior de independência e rebelião para com Deus. Quando mudamos a nossa atitude para com Deus, mudamos também os nossos atos. Quando mudamos somente os nossos atos deixando de fazer algumas coisas que consideramos erradas, mas permanecemos com a mesma atitude interior de independência, logo voltamos a praticar os velhos e conhecidos atos.

Quais os “frutos do arrependimento”?

Tristeza segundo Deus: 2 Co 7.10 - “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação que a ninguém traz pesar, mas a tristeza do mundo produz morte”.
Confissão do pecado: Sl 32.5 - “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e Tu perdoaste a iniquidade do meu pecado”.

Renúncia do pecado: Pv 28.13 - “O que encobre suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e as deixa, alcança misericórdia”.

Ódio e repulsa pelo pecado: Ez 36.31 - “Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos e dos vossos feitos que não foram bons; terei nojo de vós mesmos por causa das vossas iniquidades e das vossas abominações”.

CONFISSÃO: Confessar vem da palavra grega “homologeo”, que significa concordar. Biblicamente “confessar significa concordar com Deus que nossos pecados são pecados e não apenas erros ou falhas, e que isso ofende a sua santidade e pureza”. Sendo assim quando exercemos fé no sacrifício de Jesus e nos arrependemos da nossa condição de pecadores, precisamos “confessar” ou “declarar” com os nossos próprios lábios que desejamos que Ele se torne o Salvador e o Senhor de nossas vidas. Isso é o que torna o Novo Nascimento uma experiência tão pessoal. Ex: Rm 10.9, 10 e 13 – “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.




O novo nascimento é uma experiência individual, estendida a toda a pessoa indistintamente, obtida através da obra redentora de Jesus Cristo na cruz, bem como através da proclamação verbal e individual de quem Ele é. É através desta experiência que o homem se torna um filho de Deus, livre do pecado, e habilitado para desfrutar, nesta vida e também na vindoura de todos os benefícios resultantes desta decisão.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Homilética - A arte de preparar expor mensagens bíblicas


A pregação é um milagre duplo. O primeiro milagre é Deus usar um homem imperfeito, pecador e cheio de defeitos para transmitir Sua perfeita e infalível Palavra. Trata-se de um Ser perfeito usando um ser imperfeito como seu porta-voz. Só um milagre pode tornar isso possível. O segundo milagre é Deus fazer com que os ouvintes aceitem o porta-voz imperfeito, escutem a mensagem por intermédio do pecador e, finalmente, sejam transformados por essa mensagem. Esse é o grande milagre da pregação. As técnicas são indispensáveis para uma boa pregação. Embora todas as técnicas ajudem o pregador, porém, não fazem dele um pregador. Par ser um bom pregador é preciso ter a técnica e algo mais. Esse algo mais é o milagre do Espírito Santo. O pregador deve orar, meditar na palavra e se colocar inteiramente nas mãos de Deus, para então, depois disto, pregar. A leitura é uma parte importante do sermão. Ela deve ser bem feita, observando as pontuações estabelecidas, com suas pausas e mudança de personagem. O pregador precisa manter o contato com o público através do olhar, se fazendo próximo dos ouvintes.

Jesus disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15). Esta foi uma das principais tarefas deixadas pelo Senhor à sua Igreja. Somos chamados a proclamar ao mundo a salvação de Deus.
De certo modo podemos fazer isso de forma natural, sem ter necessidade de ser auxiliado por qualquer tipo de conhecimento técnico. Todavia, quando se trata de um discurso público, em que estaremos entregando a mensagem de Deus a uma audiência específica, cabe-nos fazer de maneira mais eficaz possível, visando fixar nos nossos ouvintes a referida mensagem. Para isso, vale-nos utilizar da Homilética, ou a arte de fazer homilia.
Toda ação a ser realizada pode ser feita de diversas maneiras. Algumas são totalmente erradas; outras, ainda que não completamente, contêm elementos que não são aprováveis ou louváveis. Dentre as maneiras corretas existem muitas, e nosso compromisso é buscar maneiras cada vez mais eficazes de realizá-la. Ao expor uma palavra em uma reunião pública, podemos fazer isso de muitas maneiras diferentes, porém se buscarmos a eficácia, nós não nos contentaremos com formas confusas, vazias e ambíguas de apresentar nosso sermão.
Queremos que as pessoas tenham a sua atenção voltada para aquilo que estamos ministrando. Queremos que elas de fato se interessem por aquilo que está sendo dito. Por isso, não só o que dizemos, é importante.
Não precisamos de muito esforço para saber que a clareza é melhor que a impressão, que algo dito de modo criativo é melhor do que algo dito de modo banal. A estética não é o principal, mas nem por isso deixa de ser importante.
Tomemos a própria Bíblia e teremos um claro exemplo disso. Nela temos diversas pregações e proclamações proféticas. A maioria delas era feita de uma forma poética, ritmada, harmoniosa. Muitos profetas bíblicos podem facilmente concorrer com os maiores poetas da história. Os sermões de Moisés no livro de Deuteronômio possuem uma beleza e uma harmonia toda especiais. Não é porque algo é belo que é verdadeiro. Não é porque é verdadeiro que não precisa ser belo. A beleza, a clareza e a ordem não são as únicas coisas que bastam em um sermão, mas nem por isso são dispensáveis.
A Homilética é uma ferramenta. Ela se destina facilitar a exposição da mensagem, fornecendo um método, isto é, um caminho por onde um determinado conteúdo pode ir do emissor para o receptor sem ruídos. Na verdade ela apresenta caminhos diferentes para variados tipos de mensagem e público, ela estabelece certas regras, corrige certos vícios e propõe certas ações na exposição que ajudam o pregador a dizer o que precisa ser dito.
Como toda ferramenta, é preciso tempo e continuidade para se arrepender a usá-la. As primeiras experiências nem sempre são bem sucedidas e muitos acabam se sentindo engessados em sua exposição. Isso é normal. Com o passar do tempo verifica-se que é um instrumento muito útil de ordenação de pensamento. Ter uma mensagem é uma coisa. Ter um esboço, um roteiro através do qual a mensagem vai fluir do meu coração para o coração do meu público é outra coisa. Não dispensemos a ferramenta. Ela não é tudo, mas é importante. Na verdade, muito importante.
A Homilética evangélica geralmente procura ir além de uma mera exposição das formas do sermão, ela pretende orientar todos os aspectos que envolvam o pregador em seu trabalho e transmitir sua pregação. Há muita coisa envolvida, desde o seu comportamento no púlpito até seu caráter. Tudo isso precisa ser levado em conta. Muita coisa que em um primeiro momento pode parecer sem importância se mostrará indispensável com o passar do tempo.

1.         DEFINIÇÕES DO QUE É HOMILÉTICA E DE TERMOS
RELACIONADOS A ELA

   1.1 Homilética é a ciência que se ocupa com a pregação cristã e, de modo particular, com o sermão proferido no culto, ou seja, no seio de uma determinada comunidade evangélica ou cristã. Homilética é a disciplina que nos leva a falar com elegância, desenvoltura e propriedade bíblica.

  1.2  O termo Homilética provém do vergo grego “homilein”, que era utilizado pelos gregos sofistas para expressar o sentido de "relacionar-se ou conversar" este termo passou a ser usado para denominar a "arte de pregar um sermão". Daí deriva o termo "Homilética" e suas formas de expressões, pois desde então e muito cedo, a Homilética passou a fazer parte da teologia prática.

1.3  Temos que deixar bastante claro que a Homilética não é a mensagem. Ela é uma disciplina que orienta o pregador para melhor entregar a mensagem de Deus aos homens que no contexto teológico é conforme os relatos bíblicos.

  1.4  A Homilética tem como objetivo primordial desde o seu tempo mais remoto orientar os pregadores na dissertação de suas ideias e, ao mesmo tempo, fazer que os mesmos adquiram princípios gerais corretos e despertá-los a terem ideia do erro e das falhas que eles em geral cometem enquanto estão expondo um texto bíblico de maneira formal para um auditório.

  1.5  O termo grego "homília" significa um discurso com a finalidade de convencer e agradar. A Homilética hoje significa claramente "A arte de elaborar e pregar um sermão". A arte de falar em público nasceu na Grécia antiga com o nome de Retórica. O Cristianismo passou a usar esta arte como meio para a pregação do evangelho de Jesus Cristo. Vejamos algumas definições que envolvem essa disciplina:


·         Discurso: É um conjunto de ideias ordenadas em frases, faladas em público.
·         Homilética: É a ciência ou a arte de elaborar e expor um sermão.
·         Oratória: É a arte de falar ao público.
·         Pregação: É o ato de pregar um sermão, é o ato de anunciar a palavra de Deus.
·         Retórica: É o conjunto de regras relativas à eloquência, é a arte de falar bem em público e para o público, de maneira formal.
·         Sermão: É o discurso cristão, pronunciado do púlpito ou não, levando em conta as regras homiléticas.

   FONTE: APOSTILA HOMILÉTICA DO CENTRO DE DESENVOLVIMENTO TEOLÓGICO KERIGMA