quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Igreja e a cultura

            
Deus nos criou como seres sociais e instrui-nos a produzir uma cultura que reflita os princípios espirituais e morais de sua Palavra. A cultura é conhecida e propagada por intermédio das crenças, hábitos, comportamentos e valores de um povo. Como servos de Deus, vivemos em sociedade e fazemos parte de uma cultura. Todavia temos a mente de Cristo (1 Co 2.16), e devemos exercer influência sobre a cultura transformando-a segundo os valores do Evangelho de Cristo. Devemos observar que a cultura, apesar de fazer parte da criação divina, foi contaminada pela Queda de nossos primeiros pais Adão e Eva no Éden, por essa razão, os filhos do Reino devem examinar o seu ambiente cultural com base na Bíblia Sagrada. Há relatos de homens e mulheres piedosos que influenciaram a cultura dos seus dias, transformando-a pela eficácia da Palavra de Deus. É da vontade do Pai que a Igreja de Cristo influencie e transforme a cultura que a cerca, apresentando-se como sal da terra e luz do mundo.

I. A CULTURA ANTES E APÓS A QUEDA
 1. A natureza da cultura humana. Derivada do latim, a palavra “cultura” refere-se às produções sociais e aos costumes das sociedades humanas. A cultura de um povo manifesta-se através de seus hábitos, comportamentos, artes, crenças e valores. Criado por Deus, o ser humano foi por Ele dotado de extraordinária capacidade para administrar este mundo (Gn 1.28-30). A capacidade de criar e desenvolver uma cultura, é um dom divino. Nossa cultura pode e deve refletir o amor, a bondade e a verdade do Pai Celeste. Todavia, por causa do pecado, a produção cultural do ser humano acha-se comprometida pelo mal (Gn 3.5-10,17-19). Por isso, devemos submetê-la ao crivo das Sagradas Escrituras.
2. A cultura como beleza da criação. O Pai Eterno impregnou-nos com a sua imagem e semelhança (Gn 1.26), tornando-nos capazes de pensar, criar e comunicar-nos uns com os outros e com Ele próprio. Tudo o que fazemos tem um caráter social, seja cuidando da terra, seja zelando pelos animais ou administrando nossa família (Gn 1.28,29). Enfim, sempre que nos pomos a servir ao próximo, obedecemos aos mandamentos de Deus através de nosso fazer cultural (comissão cultural). Assim, glorificamos ao Senhor (Lc 6.9).
3. A Queda manchou a cultura humana. A Bíblia afirma que o pecado subjugou a humanidade, comprometendo toda a criação de Deus. Por isso, a criatura geme e espera por sua redenção (Rm 8.19-23). Logo, nenhuma produção cultural é perfeita, porque somos imperfeitos por natureza. E uma das coisas mais danosas que podemos fazer da cultura é adorar a criatura em lugar do Criador (Rm 1.18-25).

II. EXEMPLOS BÍBLICOS DE RELACIONAMENTO CULTURAL
1. Daniel discerne a cultura babilônica. O Império de Babilônia era singular em belezas artísticas, arquitetônicas, literárias e científicas. Indaga retoricamente o rei Nabucodonosor: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real?” (Dn 4.30). Nesse contexto cultural, achava-se Daniel. Dotado de uma fé consistente e de um profundo conhecimento da lei divina, o jovem hebreu soube como discernir os prós e os contras da cultura babilônica. Ele examinava tudo e retinha o bem, conforme aconselha-nos Paulo (Dn 1.4; cf. 2.48,49; 1 Ts 5.21). Quando os valores de sua fé eram desafiados, Daniel não abandonava nem negociava com os seus princípios espirituais, morais e éticos (Dn 1.8; 6.6-10). Através de uma postura tão firme e corajosa, fez sobressair sua fé no Deus Único e Verdadeiro. É assim que devemos agir e reagir, como o povo de Deus, em relação ao contexto cultural no qual estamos inseridos.
2. Paulo, Barnabé e a transformação cultural em Listra. Na província romana da Galácia, havia uma cidade chamada Listra. O templo de Júpiter e de Mercúrio ocupava o centro da cidade, cujos habitantes, de ascendência cultural grega, acreditavam na humanização desses deuses. Segundo o poeta romano, Ovídio, Júpiter e Mercúrio desceram, certa vez, à Terra, disfarçados de viajantes. Recebidos por Filemon e sua esposa, Baucis, deram ao casal, como premiação pela acolhida, a incumbência de lhes guardar o templo em Listra. Tal crença ajuda-nos a entender melhor o capítulo 14 de Atos. A passagem narra a chegada de Paulo a Listra, onde curou um paralítico de nascença. Diante do milagre, os habitantes de Listra foram induzidos a pensar que os deuses achavam-se novamente entre eles. Por isso, chamaram a Barnabé de Júpiter e a Paulo de Mercúrio. Tal fato denota a idolatria que dominava a cultura greco-romana. Todavia, Paulo e Barnabé trataram de corrigir o engano. Assim, contrapuseram o Evangelho de Cristo à cultura pagã de Listra. E ali mesmo, estabeleceram uma igreja (At 14.21,22). Com Paulo e Barnabé, aprendemos o quanto devemos levar a sério a transformação cultural da sociedade por meio da prática da Palavra de Deus ( At 17.15-34).

III. O EVANGELHO, A IGREJA E A CULTURA
 1. O Evangelho e a cultura. Nascido judeu, Jesus foi educado na lei de Moisés, participou das festas anuais em Jerusalém, frequentou as sinagogas e, como ensinador, mostrou ao povo a singularidade da mensagem evangélica. Ele participou ativamente da história e da cultura judaica (Jo 1.14; Gl 4.4). E foi entre homens comuns que o meigo nazareno anunciou a mensagem de amor e de salvação (Mt 11.19). Tudo, dentro de um contexto cultural.
2. Igreja e cultura. A Igreja Primitiva deparou-se com várias questões de caráter cultural. Haja vista o concílio de Jerusalém (At 15). A relação entre os cristãos judeus e gentios era delicada e demandava muita diplomacia e tato por parte dos apóstolos, para que não houvesse conflitos entre ambos os grupos (Rm 2.12-16; 14.5-9). A cultura jamais deve ser motivo de divisões no seio da igreja. E uma vez que estamos inseridos num ambiente cultural, não podemos isolar-nos deste, mas utilizá-lo para comunicar a mensagem do Evangelho.
3. O despertamento cultural da Igreja. Assim como Daniel, Paulo e Jesus de Nazaré, a Igreja tem o dever de propor uma contracultura para esta sociedade. A mídia impõe sobre nós uma carga cultural completamente oposta aos valores do Evangelho. E o que a Igreja tem feito? Não há dúvida de que o Senhor deseja usar cada crente para levar a Palavra de Deus a um mundo que jaz no maligno. Esta é a nossa missão. A justificação das Escrituras para a construção da cultura começa em Gênesis. No limiar da Criação, a terra é sem forma, vazia, escura e não desenvolvida. Então, cumprindo uma série de etapas, Deus estabelece as características básicas da Criação: luz e escuridão, terra e mar acima e abaixo do firmamento, e assim por diante. Depois, todavia, Deus muda sua estratégia. Até o sexto dia, Deus fez todo o trabalho da Criação diretamente. Mas agora cria os primeiros seres humanos e os ordena a levar adiante de onde deixou: eles deveriam refletir sua imagem e exercer domínio sobre toda a Criação (Gênesis 1.26). Daí em diante, o desenvolvimento da Criação seria primeiramente social e cultural: seria o trabalho dos homens, enquanto obedecessem os mandamentos de Deus para povoar e subjugar a terra (Gn 1.28). Algumas vezes chamada de ‘comissão cultural’ ou ‘mandato cultural’, a ordem de Deus é a culminação de suas obras na Criação. A cortina foi erguida no palco, e o diretor dá às personagens a deixa inicial no drama da história. Embora tudo o que Deus criou tenha sido considerado ‘muito bom’, a tarefa de explorar e desenvolver os poderes e potenciais da Criação, a tarefa de construir uma civilização, Ele atribui aos portadores de sua imagem. ‘Em sendo frutíferos deveriam preenchê-la ainda mais; ao subjugá-la deveriam desenvolvê-la ainda mais. A mesma ordem ainda nos diz respeito hoje. Apesar de a Queda ter introduzido o pecado e o mal na história humana, ela não apagou o mandato cultural. As gerações desde Adão e Eva ainda têm filhos, constroem famílias e se espalham sobre a terra. Elas ainda criam animais e semeiam nos campos. Ainda constroem cidades e governos. O pecado introduz um poder destrutivo na ordem da Criação de Deus, mas não oblitera aquela ordem. Quando somos redimidos, não somos apenas libertados das motivações pecaminosas que nos dirigem, mas também restaurados para cumprir o propósito original, para fazer aquilo para o qual fomos criados: edificar sociedades e criar culturas e, assim, restaurar a ordem criada.
CONCLUSÃO

Se trabalhada de acordo com a Palavra de Deus, a cultura faz-se bela, verdadeira e útil. Ciente dessa verdade, a Igreja de Cristo não pode ficar impassível. Transformemos, pois, nossa cultura com a mensagem do Evangelho, pois, como prometeu o próprio Cristo, “as portas do inferno não prevalecerão contra [a Igreja]” (Mt 16.18). Nos primeiros seis dias da narrativa de Gênesis, Deus forma e enche o universo físico. Deus cria o primeiro casal humano para ter domínio sobre a terra e governá-la em seu nome. O texto deixa claro que os seres humanos não são governantes supremos, livres para fazer tudo que desejarem. Seu domínio é uma autoridade delegada — eles são representantes do Governador Supremo, chamados para refletir seu cuidado santo e amoroso para com a criação. Eles têm de ‘cultivar’ (palavra que tem o mesmo radical que ‘cultura’) a terra (Gn 2.15). O modo como expressamos a imagem de Deus pode ser demonstrado pela nossa criatividade e maneira de construir culturas. Este era o propósito de Deus quando criou o ser humano, e até hoje continua sendo seu propósito para nós. O plano original de Deus não foi cancelado pela queda. O pecado corrompeu cada aspecto da natureza humana, mas não nos fez menos que humanos. Não somos animais irracionais. Ainda refletimos “por espelho” (1 Co 13.12), “obscuramente”, nossa natureza original como portadores da imagem de Deus. Gênesis nos fala de nossa verdadeira natureza, das coisas que não podemos deixar de fazer, do modo como Deus criou cada ser humano com um fim específico. Nosso propósito é precisamente cumprir nossa natureza dada por Deus

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Conselhos para colocarmos em prática em 2014

                                         
Não assuma compromissos do tipo “vou iniciar uma dieta”, “vou começar alguma atividade física”, “vou terminar o curso de inglês”. Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros.



Trate os “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.




Não pense que você vai conseguir dar uma guinada na vida apenas mudando o seu visual. É a alegria do coração que dá beleza ao rosto, e não a beleza do rosto que dá alegria ao coração.




Não faça nada que vá levar você para longe das suas amizades verdadeiras. Amizades levam um tempão para se consolidar e um tempinho para esfriar, pois assim como a proximidade gera intimidade, a distância fragiliza os vínculos.



Não fique arrumando desculpas nem explicações para as suas transgressões. Quando cometer um pecado, assuma, e simplesmente diga “fiz sim, me perdoe”. Comece falando com Deus e não pare de falar até que tenha encontrado a última pessoa afetada pelo que você fez.



Não faça nada que cause danos à sua consciência. Ouça todo mundo que você confia, tome as suas decisões, e assuma as responsabilidades. Não se importe em contrariar pessoas que você ama, pois as que também amam você detestariam que você fosse falso com elas ou se anulasse por causa delas.



Não guarde dinheiro sem saber exatamente para que o está guardando. Dinheiro parado apodrece e faz a gente dormir mal. Transforme suas riquezas em benefícios para o maior número de pessoas. É melhor perder o dinheiro que ocupa seu coração, do que o coração que se ocupa do dinheiro.



Não deixe de se olhar no espelho antes de dormir. Caso não goste do que vê, não hesite em perder a noite de sono para planejar o que vai fazer na manhã seguinte. Ao se olhar no espelho ao amanhecer, lembre que com o sol chega também a misericórdia de Deus: a oportunidade de começar tudo de novo.



Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano novo. Leve pessoas. Sendo necessário, perdoe ou peça perdão. Geralmente as duas coisas serão necessárias, pois ninguém está sempre e totalmente certo. Respeite as pessoas que não quiserem fazer a mesma viagem com você.



Não deixe de se perguntar se existe um jeito diferente de viver. Não acredite facilmente que o jeito diferente de viver é necessariamente melhor do que o jeito como você está vivendo. Concentre mais energia em aprender a desfrutar o que tem do que em desejar o que não tem.



Não deixe o trabalho e a religião atrapalharem sua vida. Cante sozinho. Leia poesias em voz alta. Participe de rodas de piada. Não tenha pressa de deixar a mesa após as refeições. Pegue crianças no colo. Ande sem relógio. Fuja dos beatos.



Não enterre seus talentos. Nem que seu único tempo para usá-los seja da meia noite às seis. Ninguém deve passar a vida fazendo o que não gosta, se o preço é deixar de fazer o que sabe. Útil não é quem faz o que os outros acham importante que seja feito, mas quem cumpre sua vocação.



Não crie caso com a mulher ou com o marido. Nem com o pai nem com a mãe. Nem com o irmão nem com a irmã. Caso eles criem com você, faça amor, não faça a guerra. O resto se resolve.



Não jogue fora a utopia. Ninguém consegue viver sem acreditar que outro mundo é possível. Faça o possível e o impossível para que esse outro mundo possível se torne realidade.



Não deixe a monotonia tomar conta do seu pedaço. Ninguém consegue viver sem adrenalina. Preste bastante atenção naquilo que faz você levantar da cama na segunda-feira: se for bom apenas para você, jogue fora ou livre-se disso agora mesmo. Caso não queira levantar da cama na segunda-feira, grite por socorro.



Não deixe de dar bom dia para Deus. Nem boa noite. Mesmo quando o dia não tiver sido bom. Com o tempo você vai descobrir que quem anda com Deus não tem dias ruins, apenas dias difíceis.



Não negligencie o quarto secreto onde você se encontra com seu eu verdadeiro e com Deus – ou vice-versa. Aquele quarto é o centro do mundo – o mundo todo cabe lá dentro, pois na presença de Deus tudo está e tudo é.



Não perca Jesus de vista. Não tente fazer trilhas novas, siga nos passos dEle. O caminho nem sempre será tão confortável e a vista tão agradável, mas os companheiros de viagem são inigualáveis.



Não caia na minha conversa. Aliás, não caia na conversa de ninguém. Faça sua própria lista. Escolha bem seus mestres e suas referências. Examine tudo. Ouça seu coração – geralmente é ali que Deus fala. Misture tudo e leve ao forno.



Não fique esperando que sua lista saia do papel. Coloque o pé na estrada. Caso não saiba por onde começar, não tem problema. O sábio disse ao caminhante que “não há caminho, faz-se caminho ao andar"

                                                                                                         Ed René Kivitz

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Discipulado Cristão

                         

Para a vida cristã o discipulado é algo de grande valia, tanto que o Senhor Jesus mandou que seus discípulos fizessem outros discípulos, “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações”. (Mt 28.19) O discipulado não é algo que se deve ser feito de qualquer maneira, pela sua grande importância.  É através dele que os novos convertidos têm seu primeiro contato com as doutrinas bíblicas, trazendo o conhecimento real de Deus e mostrando para a pessoa quais são as suas responsabilidades como uma nova criatura e como ser um novo discipulador.

Em muitas igrejas o discipulado se restringe em uma classe de escola dominical ou em outro dia qualquer.  Mas ele não deve estar restrito só a classe de novos convertidos, e sim voltado para todos os crentes já que nunca teremos o conhecimento completo de tudo o que foi escrito na palavra de Deus de forma total e perfeita.  Todas as vezes que estudamos a palavra de Deus sempre vamos aprender algo novo e poderemos repassar para as outras pessoas. Como um discípulo temos o alvo de ser como o nosso mestre Jesus Cristo e para isso temos que ser muito bem instruídos, só assim poderemos chegar a ser parecidos com o nosso instrutor. “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre”. (Lc 6:40).

O discipulado é ininterrupto, todos independente de quanto tempo de conversão tenham, precisam estar continuamente dentro de um discipulado. A vida cristã é uma vida de eterno aprendizado. O discipulado cristão é a condição para alguém aprender a ser discípulo de Jesus. É a capacidade dada por Deus para apreendermos o padrão da vida crista e transmitirmos todo esse aprendizado a outras pessoas. O amor é o elemento principal para que andemos em obediência e a bíblia é a principal ferramenta de trabalho.
Há um vínculo de fidelidade entre mestre e discípulo, alias não poderia ser diferente. A lealdade a Jesus Cristo é um pressuposto ao discipulado cristão. Não se pode dizer que se segue a Cristo, sem ser leal aos seus ensinos, e a sua pessoa. A aprendizagem e o discipulado será conduzida pelo Espírito de Deus, que após a volta de Cristo aos céus, veio nos ensinar todas as coisas, Ele é nosso ensinador e Mestre principal, mas Deus também usa os que tem mais maturidade do que a gente para nos aconselhar e aperfeiçoar a nossa vida relacional com Ele. Jesus Cristo continua sua ação discipuladora através do Espirito Santo. O preço do discipulado é alto. Todos os que quiserem seguir a Cristo, terão que estar dispostos a pagar o preço, caso contrário, jamais serão verdadeiros discípulos. Não há lugar no Reino de Deus, para aqueles que não assumem um compromisso de confessar a Cristo diante dos homens.

Discípulo, não é tão somente aquele que aprende; mas também o que assume um compromisso com o seu Mestre. O discipulado é amor pelos outros crentes e os não crentes, pois o Pai não nos deu o direito de identificar os não salvos. Não se entende discípulo de Cristo sem o amor fraternal. A prática do discipulado se estende a todas as áreas da nossa vida, seja religiosa ou secular. Nesta disciplina o aluno perceberá a importância de seguir a ordem de Jesus de ser um discípulo e um discipuldor. Para que a nossa tarefa de compartilhar o Reino de Deus se torne cada vez mais eficáz, precisamos transmitir a vida de Cristo, através do discipulado cristão.
  DISCIPULADO, UMA ORIENTAÇÃO DE JESUS
No final do evangelho segundo escreveu Mateus está escrito: E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Mt 28: 18-20) Ide e fazei discípulos de todas as nações é o mandamento do Senhor para nós. Todos no corpo de Cristo, são chamados a participarem dessa  tarefa, que não é um dom especial para uma minoria privilegiada, e sim um mandamento, e todos os que creem em Cristo não tem outra opção, senão obedecer.  

O QUE É O DISCIPULADO?
O discipulado é o relacionamento entre um mestre e um aluno baseado no modelo que é Jesus Cristo. Onde o mestre reproduz no aluno a plenitude da vida que há em Cristo, capacitando o aluno a treinar outros para que também ensinem novos discípulos Este relacionamento liga a pessoa à cadeia de autoridade existente na Igreja. Assim o discípulo é acompanhado em seu processo de crescimento e ajudado a conformar sua vida com o propósito de Deus, como também a se encaixar na vida da Igreja.  Discipular é transmitir a vida de Jesus para aqueles que estão sendo ensinados e encorajados a estreitar a cada dia o seu relacionamento com o Pai. É reproduzir essa vida em outras pessoas, ensinando-as a guardar tudo que Ele ordenou.

O QUE É UM DISCÍPULO?
            É aquele que crê no que Cristo disse na sua palavra e se dedica a fazer tudo o que Cristo mandou. É aquele que aprende, que está vivendo o que aprende e que busca comunicar aos outros aquilo que aprendeu. O discípulo de Cristo deve tomar algumas atitudes importantes, como:

·         Amar a Jesus sobre todas as coisas ( Lc14:26-27)
·         Renunciar a tudo que possui por amor a Cristo que possam atrapalhar a sua caminhada de fé ( Lc14:33)
·         Ser um praticante da palavra (Jo8:31)
·         Dedicar-se a amar o seu próximo (Jo13:34-35)
·         Buscar trabalhar na obra de Deus, para gerar frutos (Jo15:8)
·         Cultivar o fruto do Espírito Santo (Gl 5.21-22)

PORQUE FAZER DISCÍPULOS?
 Por que Jesus fez assim e mandou que fizéssemos também. Ele concentrou seus esforços em 12 homens. Ministrou em suas vidas durante três anos, de dia e de noite, nos dando o exemplo de como devemos fazer. Esta é uma ótima maneira de preparar pessoas para servir o Reino de Deus de forma mais esclarecida e bíblica. Sem submissão não há formação. O discípulo deve ser manso e humilde, estando sujeito aos seus líderes, sem rebeldia e obstinação. O princípio básico para ter autoridade é estar debaixo de autoridade de alguém e se sujeitar a ela, neste item Jesus Cristo é o maior exemplo de obediência e submissão, quando no seu relacionamento com o Pai durante todo o seu ministério terreno, foi obediente até a morte e morte de cruz (Fp 2.8). Ninguém tem autoridade em si mesmo. Nossa autoridade vem de Jesus. Autoridade é diferente de autoritarismo:

Autoridade: é algo que o indivíduo tem por deter conhecimento ou um cargo  específico e as responsabilidades  que  vem junto com estes conhecimentos  ou cargo, seja autoridade  executiva, legislativa, judiciária, ou eclesiástica. Autoridade tem a ver com liderança, comando, postura, respeito. Deve ser moderada  e  deve permitir que outros  tenham voz e possam crescer. No momento em que esta liderança passa a desconsiderar opinião, ou a pessoa do outro, passa a ser autoritarismo. Isso é terrível, nocivo ao bem estar do ser humano. Quando o homem tem autoridade o povo admira, ama, respeita.
Autoritarismo: é a imposição pela força, na marra, pelo grito: “eu sou”, “eu faço”, “eu mando e acabou”, sem ouvir ninguém.  Suas decisões estão sempre em primeiro lugar. Não dá tempo para que seus subordinados mostrem seus talentos e dons. Na verdade sufoca os que estão ao seu lado. Não por medo de perder seu lugar, mas por sentir-se superior nos conhecimentos, muitas vezes usando as palavras “eu fui isso”, “eu fui aquilo”, ou “eu tenho poder!”

Você se lembra do tempo de colégio onde professores que não levantavam a voz em momento nenhum quando se aborreciam com a gente? Eles apenas lançavam um olhar e nós já sabiamos que  era para baixar a bola ou calar a boca. Eles tinham autoridade. Já outros professores gritavam como loucos dentro da sala e só conseguiam  com que a turma se acalmasse  sobre ameaça de provas surpresas ou tirar pontos, expulsão, etc.  Esses eram os autoritários.
Precisamos aprender a ter autoridade e não ser um autoritário, pois, por não ouvir as pessoas que estamos discipulando, podemos estar deixando de descobrir um talento maravilhoso na vida daquela pessoa. O discipulador precisa entender que ele esta ali para servir o discípulo e não para ser o dono dele. Devemos ensinar como o apóstolo Paulo aos seus discípulos da igreja de Éfeso, todo o “conselho de Deus” (At 20.27) e não os nossos gostos e preferências pessoais, precisamos entender que muito antes de ser um discípulo nosso o irmão ou a irmã na fé, que estamos orientando é um discípulo de Cristo, mas para isso o discipulador deve ter claro para si e deixar bem claro para o discípulo, três situações distintas:

 Os princípios da palavra de Deus: Quando estiver ministrando a um discípulo é importante deixar bem claro que os princípios de Deus são ordens bíblicas para serem obedecidas e a estes o discípulo deve ter uma submissão absoluta. Quando damos a palavra de Deus a um discípulo e ele não a recebe ele está sendo rebelde. Nesse caso devemos seguir as orientações dadas por Jesus em Mt 18.15-20, ou seja a pessoa poderá até ser disciplinada. Todos no Corpo de Cristo, e não apenas o discipulador, têm autoridade para corrigir e repreender outro irmão dentro do ensino da palavra de Deus. Deve-se observar, antes, o ensino de Paulo aos gálatas em Gl 6.1-6 e o de Jesus aos seus discípulos em Mt 7.1-5. A Palavra de Deus deixa claro alguns assuntos e a estes devemos também mostrar para quem está sendo discipulado a sua clareza, por exemplo: o novo convertido está tendo relações sexuais com sua namorada, a bíblia mostra claramente que isto é fornicação, cabe ao discipulador mostrar isto para o discípulo na bíblia e mostrar objetivamente que tal conduta entristece a Deus e ao seu Espírito. (Gl 5.19, Ap 2.21 e 1Ts 4.3)

Os nossos conselhos: Referente a conselhos a submissão aqui é relativa, por exemplo: quando dizemos a um discípulo que ele não pode casar com uma moça incrédula, estamos dando a palavra do Senhor (2 Co 6.14). Isso é absoluto. Mas quando falamos que não é bom que ele se case com a “irmã fulana”, estamos dando um conselho. Pode ser que o conselho que damos seja baseado no conhecimento que temos da palavra de Deus, mas mesmo assim não passa de conselho. É relativo. Se o discípulo rejeita um conselho, não é necessariamente um rebelde. Entretanto, aquele que nunca aceita conselhos, é orgulhoso e auto - suficiente dificultando assim o seu processo de maturidade cristã, que é o que se visa no discipulado cristão. (Pv 12.15 e 19.20)
As nossas opiniões: Não é necessário por parte do discípulo, nenhum tipo de submissão às opiniões e gostos pessoais do discipulador. Muitas vezes seremos questionados por quem estamos discipulando, acerca de nossas opiniões sobre diversos assuntos, isto é muito normal, mas não poderemos constranger as pessoas discipuladas a concordarem conosco, neste ponto precisamos deixar o discípulo livre para ter e expressar as suas opiniões ainda que estas não sejam exatamente aquilo que gostaríamos de ouvir.

COMO O DISCÍPULO PODE APRENDER
            Todas as pessoas aprendem de diversas maneiras, no processo de discipulado cristão, não é diferente, o discípulo aprende:

·         Vendo, ouvindo e perguntando. O relacionamento espontâneo e constante entre o discípulo e o discipulador faz surgir oportunidades de ensino, exortação e consolação, em situações do dia-a-dia, sendo assim é importante que tudo o que o discípulo tiver de dúvidas sobre os diversos assuntos, vá sanando com o seu discipulador, que se não tiver uma resposta deve buscar respostas com quem tem mais conhecimento que ele para sanar as dúvidas de seu discípulo.

·         Traçando alvos a serem alcançados. Por exemplo: uma leitura diária de alguns capítulos da bíblia, de preferência começando pelos evangelhos, depois de lidos, discípulo e discipulador devem discutir os temas principais e extrair lições para a vida cotidiana.

·         Aprendendo a manusear a bíblia. Isto por livro, capítulo e versículo. Isto só será alcançado com bastante leitura e pesquisa diária nas escrituras sagradas.

·         Quando se sujeita a autoridade de Cristo e da Igreja. É importantíssimo que o discípulo de Cristo, já no início de sua fé, aprenda a respeitar as autoridades constituídas na Igreja e dar-lhes a devida honra, este novo cristão poderá aprender muito com aqueles a quem respeita. Obedecer, segundo a palavra de Deus as autoridades constituídas, é obedecer ao próprio Cristo. (Rm 13.1 e 5 e Tt 3.1)

·         Quando demonstra compromisso e envolvimento com os irmãos. Nas reuniões e cultos, nas contribuições financeiras, que são os dízimos, ofertas e votos, feitos voluntariamente, nos serviços prestados aos irmãos e a igreja. O bom relacionamento com os demais membros de sua comunidade de fé, lhe darão ótimas oportunidades de aprendizado.

OS DESAFIOS DO DISCÍPULO
Existem diversos desafios a serem enfrentados. O maior deles é com certeza vencer os principais problemas do “velho homem” como vícios, impurezas, rebeldias, mentiras, desonestidade, etc... (Ef 4.20-32) Para conseguir este feito é preciso haver da parte do novo convertido um conhecimento dos fundamentos da fé e uma obediência aos novos paradigmas que este aprende na palavra de Deus. (Rm 12.1-2) Jesus disse: - E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará! (Jo 8.32) Ao ir no dia á dia conhecendo melhor as escrituras sagradas e a vontade de Deus para sua vida, a mente do discípulo será aos poucos moldada pelos novos padrões do Reino de Deus e na sua caminhada ao lado de Jesus, com o apoio  da Igreja e de seu discipulador, ele vencerá as características do velho homem. A seguir veremos mais alguns destes desafios.

Manter e aperfeiçoar o que foi alcançado. Um dos grandes problemas das pessoas é regredirem em sua caminhada com Deus. Muitas vezes a pessoa está até indo bem, de repente por causa de problemas pessoais, abandona-se um processo de maturidade que está sendo maravilhoso para ela. É papel do discipulador, encorajar o discípulo a perseverar em sua caminhada com Deus, mantendo sua comunhão com Ele, vivendo o que já aprendeu.
Proclamar e testemunhar sobre Jesus Cristo. Agora que a pessoa conhece a Cristo é muito importante ela saber de sua responsabilidade e se voltar para o evangelismo pessoal, (At 1.8) envolvendo-se no projeto de expandir o Reino de Deus na terra, através da proclamação do evangelho para outras pessoas. O discípulo deve ser orientado a convidar pessoas a irem a igreja e as desafiarem a entregarem os seus caminhos ao Senhor. (Sl 37.5) Ela deve ter a consciência que o processo do discipulado visa prepara-la espiritualmente e biblicamente para compartilhar a sua fé, aonde quer que seja necessário. (1 Pe 3.15 e 2 Tm 2.25)
Manifestar os dons do Espírito Santo. O discípulo deve ser instruído na palavra de Deus, no sentido de ser esclarecido, que Deus tem disponibilizado para a sua igreja, ferramentas espirituais e que este pode e deve buscar para ser utilizadas na obra de Deus. (1 Co 12.1-31 e Rm 12.4-8). Neste momento o papel do discipulador é ajudar o discípulo a descobri os seus talentos naturais e os seus dons espirituais que lhe foram concedidos e que podem ser utilizados a serviço da causa de Cristo.
Caminhar em companheirismo com os irmãos de fé. A vida cristã tem como uma de suas finalidades primordiais a caminhada com Deus. Nesta caminhada é preciso esclarecer o discípulo que ele não está só, mas por mais que ele seja ajudado, ele também terá que fazer da  oração, da busca pelo ensino na palavra e da edificação mútua, um estilo de vida. Ser discipulado não é só se alimentar, mas também alimentar a outros com aquilo que vai sendo recebido. O companheirismo é fundamental, ele deve ser aconselhado a não se isolar de sua comunidade de fé, de sua igreja, antes planejar sempre participar de atividades junto com seus novos irmãos e amigos. Não basta se envolver precisa haver comprometimento, não é preciso abandonar a companhia de sua família, parentes e amigos, até porque como ele poderia leva-los a Cristo se não estiver próximo deles, mas em sua agenda pessoal, ele precisa reservar tempo para aprofundar-se no relacionamento com os membros de sua igreja, que neste compartilhar da vida se alegrarão com suas vitórias e chorarão com ele em suas derrotas (Rm 12.15)

                                                              CONCLUSÃO

A tarefa do discipulador é ensinar o discípulo a observar todas as coisas que Jesus ordenou. A bíblia sagrada está repleta de informações importantes que transformam as vidas das pessoas que são tocadas por elas. Todo cristão é chamado para discipular (Mt28:18-20) 
Todo discípulo deve ser formado para cuidar de outros discípulos. Jesus não era um homem de púlpito. Jesus era um homem de relacionamentos. 

Seus discípulos aprenderam tudo vendo. (1Jo1:1) 

Jesus amava os seus discípulos Um dos fatores mais importantes para que os discípulos aprendam a amar é que sejam amados 

O Espírito Santo nos dá a capacidade de amarmos e de demonstrarmos o amor Os discípulos amarão uns aos outros e  isso vai causar impacto no mundo. 

O amor é a única maneira de conquistarmos uma reação favorável dos homens.

FONTE: 
APOSTILA DA DISCIPLINA: DISCIPULADO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA                                                           KERIGMA


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O Novo Nascimento - 2 Co 5.17 e Jo 3.3

                                      

Mediante o novo nascimento, mantemos plena comunhão com Deus, reconhecendo o seu senhorio em todas as esferas de nossa vida. O fato é   que o novo nascimento é uma das principais doutrinas da fé cristã e que ninguém pode fazer parte do Reino de Deus se não nascer de novo (Jo 3.3). Mediante a fé em Jesus experimentamos uma profunda transformação de vida. Essa mudança radical não é apenas exterior, mas interior. Temos visto que atualmente muitos apresentam um belo exterior, são bem apresentáveis, possuem uma boa oratória, mas interiormente estão cheios de podridão e imundícia. Segundo Jesus, estes são como sepulcros caiados (Mt 23.27). Eles acabam impedindo, devido ao seu mau testemunho, que muitos entrem no Reino de Deus e que a Igreja cumpra a sua Missão Integral. Sem o novo nascimento ninguém poderá participar do Reino de Deus.

O novo nascimento é:

1. Regeneração (Tt 3.5).
2. Condição essencial para entrar no Reino de Deus (Jo 3.3,5).
3. Uma mudança interior que reflete no exterior (2 Co 5.17).
4. Abandonar a prática do pecado (1 Jo 3.9).
5. Comunhão com Deus.
Jesus foi categórico: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3). As Escrituras também afirmam: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17). Por conseguinte, a mudança de caráter do homem, outrora sem Deus, em um novo homem à semelhança de Cristo, é a comprovação objetiva da nova vida em Cristo Jesus (Ef 4.25-32). Você já experimentou o novo nascimento? Saiba que a regeneração é uma nova dimensão de vida produzida pelo Espírito Santo.

I. O NOVO CONVERTIDO É UMA NOVA CRIATURA

1. Uma nova criação. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). Note que o texto bíblico não diz “será”, mas, sim, “é”. Isto significa que o novo convertido sofreu uma mudança radical de vida. Agora, ele tem outro coração (Ez 36.26); outra mente — a de Cristo — (1 Co 2.16); outro pensamento (Fp 4.8); outro alvo — Cristo Jesus — (Fp 1.21).
Quando pela fé, aceitamos o sacrifício de Cristo, damos o primeiro passo na vida cristã e imediatamente inicia-se um processo de transformação, em nosso interior, para experimentarmos “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).
2. Transformação radical. Ser uma nova criatura em Deus não implica numa mera reforma exterior. Apesar de o cristão ser distinto do mundo em sua maneira de ser e de agir, sua nova vida não está assentada apenas em regras comportamentais, sociais e religiosas. Mas na pedra de esquina que é Cristo Jesus, nosso Senhor e Rei (Ef 2.20).
Na verdade, aquele que “nasce de novo” sofre uma transformação radical de vida, começando pelo seu interior, abrangendo todo seu coração, desejo e vontade (At 2.37; Rm 5.5; 2 Co 7.2). Tal transformação é refletida nas esferas espiritual e social da vida do novo convertido (Mt 5.13.14).
3. Uma nova dimensão de vida. Escreveu Paulo a Tito: “Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tt 2.12). Este versículo evidencia a nossa luta diária em um mundo marcado pela impiedade. Mas Deus nos convida a cultivar uma vida de sobriedade (bom senso), justiça (retidão) e piedade (espiritualidade) “neste presente século”. Se assim agirmos, causaremos um impacto singular na sociedade na qual estamos inseridos, levando-a a transformar-se pelo poder do Evangelho de Cristo.

II. O PASSADO SE FOI E EIS QUE TUDO É NOVO

1. O passado ficou para trás. Quando alguém confessa seus pecados e os abandona é sinal de que foi regenerado, alcançando plenamente, no Senhor, a cura de sua alma (1 Pe 1.3; Is 43.25; Pv 28.13; 2 Cr 7.14). O que era impróprio, indigno e pecaminoso é sepultado e para sempre esquecido. Eis o que nos garante o próprio Senhor: “Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jr 31.34). De fato, “as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Esqueça, pois, o que ficou para trás (Fp 3.13,14). Viva, doravante, em novidade de vida com a bênção de Deus e na consolação do Espírito Santo (Hb 8.12; Mq 7.19).
2. “Eis que tudo se fez novo”. Esta é uma expressão abrangente e profunda. Tudo o que Deus faz é perfeito e bom. Por isso, a nossa vida é sempre renovada (2 Co 4.16; Ap 21.5). Podemos desfrutar diariamente da presença de Deus, pois as suas misericórdias são novas a cada manhã (Lm 3.23) e a sua graça nos basta (2 Co 12.9). O Senhor não nos deixa nem nos desampara (Hb 13.5,6). Ele nos toma pela “mão direita” e diz: “Não temas que eu te ajudo” (Is 41.10,13).
3. É tempo de avançar. Confessa Paulo aos filipenses: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão” (Fp 3.13). O passado ficou para trás; tudo agora se fez novo. Louvado seja Deus!
Avancemos, “olhando para Jesus, o autor e consumador da fé” (Hb 12.2). Enquanto o apóstolo Pedro olhava para o Senhor, caminhava por sobre águas. Porém, ao desviar os seus olhos de Cristo, começou a ser envolvido pelas ondas daquelas águas (Mt 14.22-33). Portanto, avancemos para grandes vitórias em Deus, olhando somente para Cristo, a nossa eterna e sublime esperança (Cl 1.27; 1 Tm 1.1).

III. QUANDO ESTAMOS EM CRISTO

1. Temos um novo olhar. A fé em Jesus Cristo muda o nosso interior, abrindo-nos novos horizontes e perspectivas. Já não atentamos mais aos nossos interesses, mas para os de Deus, porque pertencemos única e exclusivamente ao Pai: “Estou crucificado com Cristo” (Cl 2.20). E doravante a nossa a luta não é mais contra a “carne e sangue”, mas contra os “principados” e “potestades” nos “lugares celestiais” (Ef 6.12). Este deve ser o nosso alvo: um amoroso serviço em prol do Reino de Deus (Mc 12.31; Rm 14.1; 1 Co 12.4-7).
2. Temos uma nova atitude. Quando Cristo torna-se o centro de nossas vidas, nossas atitudes passam a ser pautadas segundo a Palavra de Deus. Em vez de contenda, confusão ou gritaria (Ef 4.31), buscamos a paz de Deus, a direção do Senhor e o refrigério do Espírito Santo para conduzir-nos por um novo e vivo caminho (Rm 6.4; Hb 12.14).
3. Temos uma nova vida abençoada. A verdadeira felicidade consiste em viver de acordo com os princípios eternos do Reino de Deus. Não há felicidade sem Cristo! Porque em Jesus, o Pai concede-nos bênçãos especiais: a vida (1 Jo 5.12), a luz (Jo 8.12), a liberdade (2 Co 3.17), o amor (Rm 5.5), a alegria (Jo 16.22), o perdão (1 Jo 1.7), a paz (Rm 5.1), o propósito de vida (Fp 1.21), a provisão (Fp 4.19), o futuro com Cristo (Jo 14.2,3). Testemunhemos, pois, de Jesus Cristo até aos confins da terra (At 1.8).

CONCLUSÃO

A verdadeira alegria é o resultado do novo nascimento. Muitos buscam ser felizes pela aquisição de bens materiais, mas a real felicidade é o resultado de uma mudança radical em nosso ser. Esta mudança é perfeitamente possível. Basta crer e permitir que o Senhor Jesus o faça. Deixe o seu passado para trás e avance para o alvo que é Cristo, o autor e consumador de nossa fé.
 “Quando correspondemos ao chamado divino e ao convite do Espírito e da Palavra, Deus realiza atos soberanos que nos introduzem na família de seu Reino: regenera os que estão mortos nos seus delitos e pecados; justifica os que estão condenados diante de um Deus santo e adota os filhos do inimigo. Embora estes atos ocorram simultaneamente naquele que crê, é possível examiná-los separadamente.
A regeneração é a ação decisiva e instantânea do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria de novo a natureza interior. O substantivo grego (palingenesia) traduzido por ‘regeneração’ aparece apenas duas vezes no Novo Testamento. Mateus 19.28 emprega-o com referência aos tempos do fim. Somente em Tito 3.5 se refere à renovação espiritual do indivíduo. Embora o Antigo Testamento tenha em vista a nação de Israel, a Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece.
O Novo Testamento apresenta a figura do ser criado de novo (2 Co 5.1 7) e da renovação (Tt 3.5), porém a mais comum é a de ‘nascer’ (gr. gennaō, ‘gerar’ ou ‘dar à luz’).

[...] Nascer de novo diz respeito a uma transformação radical. Mas ainda se faz mister um processo de amadurecimento. A regeneração é o início do nosso crescimento no conhecimento de Deus, na nossa experiência de Cristo e do Espírito e no nosso caráter moral” (HORTON, S. M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 1.ed., RJ: CPAD, 1996, pp.371-2).

“O novo nascimento no Evangelho de João
Encontramos a única menção explícita ao novo nascimento na conversa de Jesus com Nicodemos (3.1-21). Jesus fala a Nicodemos: ‘Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’ (v.3). A réplica de Nicodemos: ‘Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?’ (v.4), indica que ele entendeu o comentário de Jesus na esfera humana, física. A interpretação errônea de Nicodemos fornece a Jesus a oportunidade de esclarecer o que queria dizer. Ele fala da necessidade de um novo nascimento espiritual, não de um segundo nascimento físico (vv.6-8). A interpretação errônea e o esclarecimento resultante dela são refletidos em um jogo de palavras no versículo 3 (repetidas no v.7). A palavra grega aōthen, traduzida por ‘novo’, na NVI, pode querer dizer ‘de novo’ ou ‘de cima’. Contudo, o fato de Nicodemos entendê-la com o sentido de ‘de novo’ leva-o a concluir que Jesus fala de um segundo nascimento físico, mas a resposta de Jesus, registrada nos versículos 6-8, mostra que Ele se refere à necessidade de um nascimento espiritual, um nascimento ‘de cima’. Esse novo nascimento não é resultado de nenhum ato humano (cf. v.6), é obra do Espírito Santo (v.8). É necessária a atividade sobrenatural do Espírito de Deus para realizar esse novo nascimento espiritual no indivíduo. Ele não consiste apenas em percepção ou compreensão mais excelente, mas na completa transformação do indivíduo (cf. 2 Co 5.17)” [ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do Novo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2008, pp.245-6].


 FONTE: LIÇÕES BÍBLICAS - CPAD