segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Igreja e sua Missão Integral




O Reino de Deus na terra é um projeto divino (Mt 6.25-34)

INTRODUÇÃO

Pregando o Evangelho todo para o homem todo, porque o Reino de Deus está entre vós!

A partir de hoje estudaremos um tema extremamente relevante para os nossos dias que é “A igreja e sua Missão Integral”. Veremos que a Missão Integral é consequência da manifestação do Reino de Deus em nossas vidas. O Reino de Deus já está entre nós de forma ainda muito limitada, mas já sinalizando como serão as coisas na eternidade. (Lc 17.20 e 21). Precisamos entender o conceito bíblico sobre o que é o Reino de Deus e como ele se manifesta. Precisamos saber que este Reino já está presente e em expansão entre os homens conforme nos revelou Jesus e se faz necessário entender como ele se manifesta e como podemos contribuir para que estas manifestações se multipliquem ao nosso redor.
A Missão Integral da Igreja vai além da evangelização. O zelo e o cuidado pelo nosso planeta também é parte da Missão Integral. Em nossa prática missionária, o socorro do pobre e do necessitado é fundamental, precisamos ter uma visão integral do homem (corpo, alma e espírito). A Missão Integral faz parte do projeto original do Reino de Deus para o mundo, por isso se faz necessário aprendermos a pregar o evangelho todo para o homem todo.


I.                     REFLEXÕES SOBRE O REINO DE DEUS

1.    O Reino de Deus foi anunciado por João Batista (Mt 3.1-3)
2.    O Reino de Deus foi reafirmado pelo Senhor Jesus (Mt 6.33)
3.    O Reino de Deus começa se manifestar através do novo nascimento (Jo 3.1-3)
4.    O Reino de Deus revela uma nova filosofia de vida: as Bem-aventuranças (Mt 5. 3-12)
5.    O Reino de Deus está totalmente ligado à missão da Igreja (Mt 25.34-46)
6.    O Reino de Deus se manifestará de forma mais plena na consumação dos séculos (Ap 20.4-6)

II.               O QUE É A MISSÃO INTEGRAL?
É a proclamação da mensagem da salvação mediante a pregação e as ações da Igreja, tendo sempre uma visão integral do homem, sabendo que este é composto de corpo, alma e espírito, portanto precisa ser ministrado visando sempre sua totalidade.

III.           QUAL O PRINCIPAL PROPÓSITO DA MISSÃO OINTEGRAL?
Trazer para o ser humano o evangelho de forma bíblica e assumir o compromisso de tornar os cristãos agentes transformadores da sociedade, através de palavras e ações.
IV.             MISSÃO INTEGRAL E A AS AÇÕES SOCIAIS TRANSFORMADORAS
A Igreja é conhecida por ser um povo que ora, mas nós precisamos ser conhecidos também como um povo que age. Oração rima com ação. Proclamar o evangelho é fundamental, mas deveria sempre ser acompanhado da atitude de buscar suprir as necessidades humanas pregando e vivendo justiça social e praticando os valores do Reino de Deus, em vez de apenas falarmos deles. Devemos encarnar o evangelho em nossa prática de vida. Deus é soberano (Sl 24.1,2) e tem o governo dos céus e da terra (Dt 10.14; 1 Co 10.26). Pois foi Ele quem os criou (Gn 1—2; Hb 1.10; 11.3). Não obstante, pouco se estuda acerca de nossa participação no governo do Reino de Deus: nossos deveres e obrigações no cuidado e na mordomia de tudo que Ele nos confiou (Gn 2.15-17,19; 1 Co 3.16,17; 6.19,20). Assim, o propósito desta lição é estudar o Reino de Deus nas Escrituras, bem como suas manifestações no presente e no futuro, porque desejamos que a Igreja do Senhor, na atualidade, busque intensamente estabelecer os valores do Reino de Deus através de sua prática e vivência.

V.                CONCEITO BÍBLICO DE REINO DE DEUS

1. Definição de Reino de Deus. A expressão Reino de Deus aparecerá algumas vezes no decorrer da lição. Você sabe o seu significado? Podemos definir o Reino de Deus como a soma de “todas as bênçãos, promessas e alianças que o Todo-Poderoso destinou aos que recebem a Cristo Jesus o qual se revela em um novo estilo de vida para aqueles que o recebem”. O Reino de Deus pode ser definido como o domínio eterno de Deus em todas as eras, exercendo a sua soberania sobre o Universo, intervindo na história para conduzi-la ao ápice — a restauração de todas as coisas — e ‘revelando-se com poder na execução de todas as suas obras’. O Reino de Deus tem, portanto, uma dimensão presente como já vimos que se configura no cumprimento em Cristo de todas as promessas messiânicas do Antigo Testamento. A expressão ‘é chegado’, que aparece tanto em Mateus 4.17 como em 12.28, segundo pensam os eruditos, denota a ideia de ‘presença real’, agora, e não de proximidade, como algo apenas para o futuro. Ou seja, a presença pessoal do Messias na história implica a presença efetiva do Reino de Deus entre os homens. Ele se manifesta a partir do coração de cada um, daí porque onde se percebe que o Reino está presente é também possível sentir os seus efeitos. No entanto, não se pode esquecer, do caráter escatológico do Reino de Deus. Será o tempo no qual se cumprirá a profecia de Daniel, em que os reinos deste mundo serão destruídos e o mal aniquilado, restabelecer-se-á a comunhão perfeita com Deus e o Senhor reinará com justiça para sempre.
2. Os aspectos do Reino de Deus. De acordo com as Sagradas Escrituras, o Reino de Deus apresenta tanto aspectos presentes quanto futuros:
a) Presente. Na atualidade, o reino divino está presente na vida dos filhos de Deus, a saber, os salvos em Cristo. Estes foram libertos das trevas e transportados ao “Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). A partir desta experiência salvífica, é possível afirmar que toda pessoa, nascida de novo em Cristo Jesus, é dirigida pelo Espírito Santo e, consequentemente, tem a sua vida governada através dos valores do Reino (Ef 2.10).
b) Futuro. O aspecto futuro do Reino de Deus está ligado ao reino milenar de Cristo sobre a terra por ocasião da sua segunda vinda em glória (1 Co 15.23-25). Até mesmo a criação inanimada “espera” por esse glorioso dia (Rm 8.19-23). E você? Aguarda ansiosamente a vinda de Jesus Cristo, o Rei dos reis?
3. O governo do Reino. Deus criou os céus e a terra (Gn 1.1). Ele tem o governo de todas as coisas. Seu domínio, soberania e autoridade real jamais terão fim. Os reinos deste mundo são transitórios, mas o de Deus é eterno. O Deus soberano governa o mundo todo. O Eterno intervém na criação e na história, manifestando seu poder, sua glória e suas prerrogativas contra o domínio do pecado.

VI.             O REINO DE DEUS NAS ESCRITURAS

1. No Antigo Testamento. Apesar da expressão Reino de Deus não aparecer no Antigo Testamento, o Senhor é apresentado como o Rei de Israel (Is 43.15), da terra e de todo o universo (Sl 24; 47.7,8; 103.19). Estas e outras referências manifestam a prerrogativa soberana de Deus sobre a criação. Ele reina para sempre (Sl 29.10).
2. Em o Novo Testamento. A mensagem central do ensino neotestamentário é o Reino de Deus. Este foi apregoado por João Batista (Mt 3.2) e confirmado pelo ensino de Jesus Cristo (Mt 6.33).
a) Na pregação de João Batista. João veio pregando no deserto: “Arrependei-vos porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 3.2). O fato de uma pessoa ser israelita e “filho da promessa” (Gl 4.28) não lhe assegurava o direito de entrar no Reino de Deus. Era preciso produzir frutos dignos de arrependimento. Pois, as boas obras são o resultado de um autêntico arrependimento (Lc 3.8).
b) No ensino de Jesus. A proclamação e a concretização do Reino de Deus foram o propósito central do ministério de ensino de Jesus. O Reino dos Céus foi o tema de sua mensagem e ensino na terra (Mt 4.17). No Sermão da Montanha, Jesus conclamou a multidão que o ouvia a buscar, com diligência e em primeiro lugar, o Reino de Deus (Mt 6.33). Ele estava ordenando a todos nós, seus seguidores, a buscar a Deus resolutamente e a fazer a sua vontade. Querido irmão, você tem procurado com diligência o governo soberano do Altíssimo em todo o seu modo de viver?
3. Reino de Deus ou Reino dos Céus. Nos evangelhos de Marcos e Lucas a expressão “Reino de Deus” aparece com frequência. Todavia, no Evangelho de Mateus, a expressão mais usada pelo evangelista (aparece cerca de trinta e quatro vezes) é “Reino dos Céus”. A maioria dos eruditos bíblicos concorda que o emprego da expressão “Reino dos Céus” foi aplicado por Mateus devido à rejeição do povo israelita ao uso indiscriminado do nome de Deus. Logo, as expressões “Reino de Deus” e “Reino dos Céus”, quando comparadas entre os Evangelhos sinóticos — Mateus, Marcos e Lucas — são sinônimos e intercambiáveis (cf. Mt 5.3; 13.10,11; Mc 4.10,11; Lc 6.20).  Antes de mencionar o que Mateus escreve a respeito do ‘Reino dos céus’, ou ‘Reino de Deus’, precisamos fazer algumas considerações em relação ao sentido dos próprios termos. Em geral, a palavra ‘reino’ denota a ideia de um domínio, uma região física ou espacial, incluindo o povo e a terra sobre os quais um rei exerce autoridade. Esse sentido também se aplica às palavras usadas para ‘reino’ no Antigo e no Novo Testamento. Os judeus usavam a voz passiva para descrever atos de Deus como uma forma respeitosa de descrever o que Ele fez sem mencionar seu nome (desde que é mais fácil omitir o sujeito com o uso do verbo na voz passiva). A substituição do nome de Deus por ‘céus’, a moradia do Senhor, é outra forma desse tratamento respeitoso. Essa expressão ocorre apenas no Evangelho de Mateus. No entanto, ele também usa quatro vezes a expressão ‘Reino de Deus’ (12.28; 19.24; 21.31,43), sugerindo, assim, que a diferença de nomenclatura é mais uma questão de preferência, ou deferência, que qualquer outra coisa. É incerto o motivo por que o Evangelho de Mateus menciona ‘o Reino dos céus’ de forma rotineira, o que não acontece nas outras narrativas. É provável que Jesus usasse as duas expressões, mas Lucas e Marcos simplesmente escolheram usar, de forma consistente, a expressão ‘Reino de Deus’ por ser menos ambígua para leitores gentios que a expressão mais judaica ‘Reino dos céus’. Fica claro, a partir de passagens como Mt 19.23,24, em que Jesus diz aos discípulos: ‘é difícil entrar um rico no Reino dos céus. é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus’, que Mateus considera as duas expressões praticamente como sinônimas.

VII. AS MANIFESTAÇÕES DO REINO DE DEUS

1. No passado. A nação de Israel era uma monarquia teocrática. O Senhor levantou reis para o povo judeu (Dt 17.14,15; Dt 28.36; cf. 1 Sm 10.1; 1 Sm 16.13) e estabeleceu normas reguladoras de relacionamento político entre o governante e a nação (1 Sm 8.10-22). O objetivo de Deus era preparar o caminho para a salvação da humanidade através da nação de Israel. Contudo, por causa dos desvios do povo judeu e da rejeição de seu Messias, Jesus Cristo, o reino divino foi-lhes retirado, ou seja, Israel na atualidade não tem mais a função de propagar o Reino de Deus (Mt 21.43; Rm 10.21; 11.23). Tal missão cabe agora à Igreja. Israel, porém, será restabelecido espiritualmente no futuro, conforme escreve Paulo (Rm 11.25-27).
2. No presente. O Reino de Deus foi estabelecido de forma invisível na Igreja por intermédio do Rei dos reis. O reino divino pode ser visto nos corações e nas vidas de todos aqueles que se arrependem, creem e vivem o Evangelho (Jo 3.3-5; Cl 1.13). Não se trata de um reino político ou material que, por definição, é transitório e passageiro, mas de uma poderosa, transformadora e eficaz operação da presença de Deus em e através de seu povo (Mc 1.27; 2 Co 3.18; 1 Ts 4.1), refletindo-se em toda a realidade à nossa volta, produzindo transformação.
3. No futuro. Durante o Milênio, predito pelos profetas do Antigo Testamento (Sl 89.36,37; Is 11.1-9; Dn 7.13,14), Jesus Cristo reinará literalmente na terra durante mil anos (Ap 20.4-6). E a Igreja reinará juntamente com Ele sobre as nações (Mt 25.34; Ap 5.10; 20.6; Dn 7.22). O reino milenial de Cristo dará lugar ao reino eterno de Deus, que será estabelecido na nova terra (Ap 21.1-4; 22.3-5), a Nova Jerusalém (Ap 21.9-11). Os habitantes são os redimidos do Senhor de todos os tempos. Que alegria nos inundará a alma quando, de eternidade em eternidade, estivermos juntos com o Senhor (Dn 7.18).


CONCLUSÃO

No Reino de Deus, a vontade do Pai é conhecida e praticada por amor, devoção, prazer, submissão, dever e gratidão (Rm 5.5; 2 Co 9.13; Lc 18.1 ; Jn 2.9). Fazer continuamente a vontade de Deus, nesse Reino, deve ser a nossa maior prioridade, não importando os obstáculos “pois que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). O Reino Deus e sua justiça devem ser o nosso anseio e alvo principal (Mt 6.33).


A mensagem do Reino de Deus
(Mc 1.15)

O comportamento do cristão deve ser em tudo norteado pela mensagem do Reino de Deus.
1.     Jo 3.3-5. O novo nascimento é a porta de entrada para o Reino de Deus
2.    Jo 18.33-36. A natureza espiritual do Reino de Deus
3.    Mt 6.25-33. Jesus nos ordenou buscarmos primeiro Reino de Deus
4.    Jo 15.16 e Ef 2.10. Ser do Reino é ser frutífero
5.    Mt 5—7. Os princípios eternos do Reino de Deus
6.    Rm 14.17. O Reino de Deus é justiça, alegria e paz no Espírito Santo

Marcos 1.14,15; Mateus 5.3-12; Romanos 14.17.

Nesta lição teremos a oportunidade ímpar de aprender a respeito da natureza do Reino de Deus neste mundo. Por intermédio da fé em Jesus Cristo, hoje somos súditos deste Reino. Reflita na declaração do apóstolo Paulo em Colossenses 1.11,14: “[...] nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”. No decorrer da aula, enfatize o fato de que os súditos deste Reino, os salvos em Jesus Cristo, devem manifestar o poder do Reino mediante suas ações. A nossa fe não pode ser evidenciada apenas por palavras.

Como podemos fazer parte do Reino de Deus? Aquele que não nascer de novo não pode entrar no Reino de Deus (Jo 3.3). Jesus mostrou as características que os súditos do seu Reino devem ter. Essas características são encontradas em Jesus, nosso Salvador e Rei e ele as alistou em Mt 5.3-10, no sermão da montanha.
1.    Deve ser humilde
2.    Deve ser Manso
3.    Deve ser justo e bondosso
4.    Deve ser amável e misericordioso
5.    Deve ter um coração puro
6.    Deve ser um pacificador
7.    Deve ser fiel

           Em seu ministério terreno, Jesus proclamou a mensagem do Reino de Deus ao mundo. Sua mensagem não somente determina as condições para se fazer parte do Reino, mas também denota a natureza espiritual e pessoal do governo divino. Como discípulos de Cristo, somos por Ele intimados a proclamar o Evangelho a toda criatura (Mc 16.15-18). Somos concitados também a viver segundo os princípios de seu Reino (Mt 5—7) expostos no Sermão da Montanha. O Sermão do Monte é a síntese do ensino de Cristo para o seu povo. Antes de a Igreja consolidar-se como agente do Reino de Deus na terra, o Senhor tomou a iniciativa de descortinar ao núcleo apostólico, através dessa primeira grande explanação pedagógica, as colunas que sustentam o modelo de vida trazido pelo Reino de Deus, isto é, a sua ética. É tanto que os princípios ali expostos se repetem de forma pormenorizada nos ensinos apostólicos.
Assim, como faz qualquer organização séria, que, ao implantar a sua filosofia de trabalho, tem como primeira iniciativa estabelecer no estatuto a sua doutrina, Jesus firmou os pressupostos que se tornariam a base do ensino desenvolvido nas epístolas e observado pela igreja apostólica. O propósito do Sermão do Monte, portanto, vai muito além de qualquer estereótipo do tipo ‘pode, não pode’, ‘faça, não faça’. A experiência religiosa mostra que não adianta explicitar um sem-número de regras, pensando que elas consigam mudar a pessoa por dentro. O máximo que promovem é uma reforma exterior, que, do ponto de vista do ensino de Cristo, cheira a hipocrisia — o interior permanece no mesmo estado de podridão espiritual, como Jesus identificou os fariseus. Assim, os princípios do Sermão do Monte devem ser vistos sob três ângulos: a dimensão presente, a dimensão escatológica e a dimensão do compromisso. Eles se interpõem e se completam”

I. A NATUREZA DO REINO DE DEUS

1. O Reino é espiritual. Acerca da natureza do Reino de Deus e diante da indagação de Pôncio Pilatos — “Tu és o rei dos judeus?” — Jesus afirmou veementemente: “O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui” (Jo 18.36). Em razão de o reino divino não ser terreno, mas possuir uma natureza espiritual e eterna, nossa vida deve apresentar valores opostos aos do presente século. Alguns dos valores apresentados pelo Senhor são a humildade (Mt 18.4), o perdão (Mt 18.23-27), a generosidade (Mt 20.1-16), a discrição pessoal (Mt 20.20-28) e o total comprometimento com o Reino de Deus (Lc 9.57-62).
2. O Reino é pessoal. Quando o homem ouve e aceita a mensagem do Reino, uma mudança radical ocorre em sua vida. Seu comportamento, a partir desta experiência, passa a ser controlado pelo próprio Deus através do Espírito Santo. Suas ações e atitudes, em relação às outras pessoas, são pautadas pelos princípios eternos das Sagradas Escrituras (Hb 8.10).
3. O Reino de Deus e seus princípios (Mt 5.3-12). As bem-aventuranças proferidas por Jesus no Sermão da Montanha expõem os princípios eternos do Reino de Deus. Neste sermão, o Senhor profere, claramente, os valores espirituais e eternos que fundamentam o seu Reino. E aos que colocam em prática sua Palavra, Ele promete: “Felizes as pessoas” que as praticam (Mt 5.3-12 — NTLH). Deseja você alcançar a plena felicidade em Cristo Jesus? Busque refletir a natureza do Reino de Deus.

II. A NOVA VIDA DOS QUE FAZEM PARTE DO REINO DE DEUS

1. Nascer de novo. O novo nascimento é efetuado por Deus mediante a ação do Espírito Santo na vida do homem. Nascer de novo é experimentar uma radical mudança de vida (2 Co 5.17; Ef 4.23-32). Logo, a experiência salvífica é a condição primordial para alguém entrar no Reino de Deus: “[...] Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3). A propósito, você já nasceu de novo? É nova criatura? Leia Romanos 10.8-13 e Efésios 1.7-13.
2. Proclamar o Reino de Deus. O Senhor Jesus veio a este mundo para salvar o pecador da condenação eterna (Jo 3.16). Agora, regenerados e nascidos de novo, temos uma missão singular: proclamar o Reino de Deus a todos os homens (Mc 16.15). Entretanto, nosso comportamento e atitudes devem ser coerentes com a mensagem do Reino. Não podemos escandalizar àqueles que almejam entrar no Reino de Deus. Quanto a isso, a Palavra do Senhor é taxativa: “Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar” (Mt 18.6).
3. Gerar frutos. Uma vez salvo, e andando em novidade de vida, o crente já está devidamente pronto a produzir frutos para o Reino de Deus (Jo 15.16). Somos chamados, por conseguinte, a praticar as boas obras, “as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). E assim, confirmamos a proclamação da mensagem do Reino. Além de pregar o Evangelho, devemos apresentar as boas obras como fruto da fé mediante a graça de Deus (Ef 2.8-10).


III. O QUE O REINO DE DEUS SIGNIFICA

1. Justiça. O pecador regenerado é justificado perante Deus, pois a justiça divina “nos é concedida pela fé em Cristo, mediante o seu sacrifício redentor” (Rm 3.21-25; 5.1; 8.33,34). Logo, o nosso testemunho pessoal é uma forma eficaz de se anunciar o Evangelho do Reino de Deus. Daí, os nossos atos de justiça, em relação ao próximo, serem tão relevantes e indispensáveis à evangelização no mundo de hoje (Mt 5.13-16).
2. Paz. Biblicamente, a paz é mais do que a simples ausência de hostilidade, guerra ou perturbação. Ela revela-se a partir de nossa vida com Deus. Estar em paz, na Bíblia, é estar completo. A Palavra de Deus descreve-a como a bênção inaudita. A paz faz parte da natureza divina (Fp 4.7). Hoje, mediante a fé em Cristo, temos paz com Deus (Rm 5.1; 2 Co 5.17-20; Jo 22.21), com o próximo (Rm 12.18; Gn 26.15-25; Hb 12.14) e com nós mesmos (Cl 3.15). A paz manifesta-se em nossa vida como o “fruto do Espírito” que habita e reina em nossos corações (Gl 5.22). A paz, que realmente provém de Deus, é quietude, unidade, amor, harmonia, segurança e confiança. Sem a paz divina, vem a ansiedade, o medo, as psicoses e outros males. Se alguém não tem paz consigo mesmo, também não a tem com ninguém mais. A paz de Deus é o legado de Jesus Cristo aos seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14.27).
3. Alegria. A alegria do Reino de Deus está fundamentada no relacionamento sólido do crente com o Pai (2 Pe 3.1; 4.4,10). É por isto que, nas provações, lembramos: “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Sim, o “coração alegre aformoseia o rosto” (Pv 15.13) e a “alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.10). Uma vez alegres, cantemos louvores ao nosso Deus (Tg 5.13)!
A alegria no Espírito Santo traz contentamento e satisfação resultantes da nossa comunhão com o Pai. Também muito nos alegramos pela certeza de termos os nossos nomes escritos no Livro da Vida (Lc 10.20).

CONCLUSÃO

A mensagem do Reino de Deus deve ser proclamada ao mundo para que o pecador possa ser salvo (Mt 28.18,19; At 1.8). Todavia, a mensagem do Reino não deve ser apenas pregada. Precisamos praticar os princípios eternos do Reino de Deus.


 Fonte CPAD - Lições Bíblicas





















domingo, 17 de novembro de 2013

Diferença entre o teimoso e o perseverante - Josfá Rosendo

                                 
Um amigo me contou recentemente a diferença entre o teimoso e o perseverante. Ele sentou-se comigo e mandou preparar um suco natural de laranja e , enquanto sugávamos o líquido fresco naquela tarde quente, ele dizia que tanto o obstinado quanto o perseverante tem um alvo, ou seja, um lugar predeterminado para chegar, mas a grande diferença é que o perseverante considera as várias possibilidades para atingir o objetivo, enquanto o teimoso enxerga apenas uma possibilidade. Achei muito interessante e fui para casa pensando sobre o assunto. 

Mais tarde, ensinando aos crentes de minha igreja, fiz referência às palavras do amigo para falar sobre o vasto campo de possibilidades que a vida proporciona, argumentando que muitos são os trajetos que podem conduzir ao mesmo alvo. Acrescentei que para o perseverante, o trajeto e o alvo são coisas diferentes, porém para o teimoso, o percurso e o alvo são a mesma coisa. Por isso que há momentos em que o primeiro muda a rota, apesar de persistir no mesmo alvo, pois sabe que mudança de rota não significa necessariamente mudança de objetivo, enquanto que o segundo não ver a possibilidade de mudar de uma coisa sem alterar a outra.

A gente só precisa de discernimento para perceber que alguns meios que usamos para atingir certo fim atrasarão muito nossa chegada ou então a inviabilizará, e então ter desprendimento e coragem para buscar meios alternativos mais viáveis que levarão ao mesmo lugar, desde que estes meios sejam legítimos. O apóstolo João, no capítulo cinco de seu evangelho, registra a história de um paralítico que, há 38 anos, esperava um milagre á beira de um tanque chamado Betesda(casa de misericórdia). Havia na região uma história segundo a qual, um anjo descia em certo tempo e agitava aquelas águas, sendo que a primeira pessoa que mergulhasse no tanque, após a agitação das águas, seria curado de qualquer enfermidade. Não sabemos com que frequência o anjo descia, ou se descia de fato, o que temos de concreto é que aquele paralítico nunca conseguiu a graça de entrar nas águas agitadas e receber a cura, porque sempre que ele tentava, descia alguém antes dele, para sua tristeza, e mais um período indefinido de espera começava.  

O paralítico de Betesda concentrou toda sua vida na expectativa de um dia conseguir a cura. Em sua cabeça, da cura dependia sua felicidade, e das águas de Betesda dependia a cura. Vejam como ele estabeleceu um fluxo delimitado para sua vida.  Era uma pessoa extremamente centrada naquela única possibilidade, a ponto de se tornar uma pessoa distraída em relação a toda a vida que se passava ao redor. Uma pessoa distraída não é alguém sem objetivo ou disperso, trata-se uma pessoa extremamente focada em um objetivo, a ponto de todo o resto desaparecer do campo de visão. É assim que um aluno em dias de provas e o estudante que vai prestar o concurso público esquecem até a senha do banco que usa há anos, ou a noiva que, com a proximidade da data do casamento, esquece a panela no fogo.

João conta que Jesus se aproximou daquele homem e, sabendo que estava assim há trinta e oito anos, perguntou-lhe se queria ficar curado. Mas o paralítico estava tão focado nas águas de Betesda, ou seja, tamanha era sua distração ao que se passava à sua volta, que ele não conseguiu atentar para a graça no olhar daquele que falava com ele e que lhe oferecia cura. Ele logo se queixou, primeiro de que não tinha ninguém por ele, segundo, que fosse alguém que lhe atirasse nas águas. Como já fizemos referência acima, ele estabeleceu um fluxo: a água é agitada - alguém, apressadamente, o mete no tanque e ele recebe a cura. Tudo o que fugisse disso não mereceria sua atenção. Ele não considerava nenhuma outra possibilidade de atingir seu objetivo, além das águas de Betesda, nem mesmo este encontro privilegiado com o Filho de Deus. Jesus o curou por misericórdia.

Assim acontece com muitas pessoas. Elas não conseguem separar o alvo que estão buscando do caminho em que estão trilhando, e mesmo que os obstáculos daquele caminho tornem-se intransponíveis para os recursos que possuem, teimam em prosseguir, porque não conseguem enxergar as múltiplas vias que a vida proporciona para se chegar a um mesmo lugar, possibilidades, aliás, muito bem exploradas pelo perseverante que, ao perceber que a estrada em que está não faz mais sentido, busca uma trilha, vai ampliando sua rota até atingir o alvo de sua vida. Há muitos caminhos para o mesmo destino e ,desde que sejam legítimos, podemos escolher o mais viável.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Novo Testamento

                                                            


O Novo Testamento é o conjunto de livros onde está registrado o estabelecimento e o caráter dos novos tratados de Deus com os homens por meio do Senhor Jesus.  O Antigo Pacto envolvia uma revelação da santidade de Deus num justo padrão de lei, que, os que a recebessem, eram solenemente admoestados a guardar.  O Novo Pacto traz a revelação de Deus no Filho, completamente justo que da aos que o recebem a revelação, o poder de se tornarem filhos de Deus, tornando-se justos (Jo 1.12).  O conteúdo do Novo Testamento consiste na revelação deste novo pacto por meio das palavras escritas de Jesus Cristo e dos seus seguidores. Compreende 27 obras distintas, de nove autores diferentes. Estes documentos foram escritos num espaço de mais de meio século, provavelmente nos princípios de 45 d.C. até cerca do ano 100 d.C. As alusões históricas que nele ocorrem dizem respeito a todo o primeiro século e o seu fundo de pensamento cultural recua até ao século IV ou V a.C.

1     O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO
Nos primeiros dias da vida da igreja primitiva, não havia nenhum livro dos quais hoje conhecemos no Novo Testamento. Os cristãos primitivos liam em suas reuniões alguns livros do Antigo Testamento, especialmente aquelas passagens que falam do advento do Messias, cumpridas na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Sendo assim, a igreja primitiva não tinha uma teologia bem definida como temos hoje em dia. Com o trabalho dos autores do Novo Testamento a igreja foi gradativamente dando prioridade a leitura dessas novas obras sagradas. Como a igreja estava espalhada em várias partes do mundo daquele tempo (África Ásia e Europa) e a maioria dos livros que iam sendo escritos eram destinados a grupos específicos do cristianismo, que estavam espalhados em várias partes do mundo, esses grupos não tinham imediatamente conhecimento de todos esses livros que foram surgindo. Mas com o passar do tempo, esses livros foram circulando e sendo conhecidos pela igreja de modo geral. Mesmo não sabendo a data exata em que todos os livros foram escritos, nem seus verdadeiros destinos, podemos afirmar que no final do primeiro século todos eles já haviam chegado em seus respectivos destino. No entanto, nem todos esses livros se tornaram conhecidos por todos os cristãos logo de inicio, ao contrário disso, algumas obras apócrifas como evangelhos e epistolas, circulavam durante o segundo século e foram aceitas por alguns grupos. Em face de tal situação se pergunta que critérios presidiram a aceitação de uns a rejeição de outros? De acordo com que princípios foram os quatro evangelhos, Atos, as treze epistolas de Paulo, as epistolas universais e o Apocalipse reunidos para compor o Novo Testamento, enquanto que outros livros de idade quase igual foram excluídos? O problema do cânon do Novo Testamento reside nessas perguntas. Mas antes de entrarmos nessa questão veremos o conceito de cânon.

2.1 DEFINIÇÕES ETIMOLÓGICAS DE CÂNON
A palavra cânon é latina e significa cana. Essa palavra vem do termo grego Kanon, que significa regra ou vara. Etimologicamente falando, esse termo vem de empréstimo da cultura semítica para referir uma planta que conhecemos com o nome de junco. Na antiguidade, essa planta era utilizada tanto para medir como para pautar. Sendo assim, a palavra cânon passou a ter o sentido de regra ou pauta. No decorrer do tempo, essa palavra passou a ter o significado formal de lista ou tabela.  Durante os três primeiros séculos, essa palavra passou a ser usada no âmbito da igreja para designar o conteúdo doutrinário e ético da fé cristã. E somente por volta do século IV é que ela passou a ser utilizada para listar os livros bíblicos, considerados inspirados por Deus, tanto do Antigo como do Novo Testamento. Atualmente, o uso predominante dessa palavra é para designar a coleção completa de todos os livros da Bíblia, em cuja coleção não se pode mais adicionar nem tirar nenhum livro. Sendo assim, o cânon da Bíblia, considerando tanto o Antigo como o Novo testamento, é uma obra completa e acabada. Portanto, a palavra cânon, por extensão, trás o significado de regra ou padrão, ou seja, nossa fé e conduta devem ser padronizadas nos escritos bíblicos, sendo assim a ação ética e espiritual nos faz ver que os livros canônicos são diferentes dos demais. Toda a literatura pode registrar o pensamento humano. Algumas obras podem influenciá-lo profundamente, mas os livros do Novo testamento o transformam. O seu poder constitui uma boa prova da sua inspiração.

2.2 O PODER TRANSFORMADOR DO NOVO TESTAMENTO
Os escritos do Novo Testamento não constituem só leituras proveitosa, são também potentes e dinâmicos. O seu efeito moral é demonstrado pelo seu poder dentro da igreja cristã. Se bem que não se pode dizer que cada membro da igreja primitiva tivesse um exemplar de bolso do Novo testamento para estudo assíduo. Pode se demonstrar que os dirigentes o conheciam e o utilizavam onde que a sua mensagem fosse proclamada e recebida. A igreja expandia-se e operava uma limpeza moral na sociedade. Nem todos os cristãos professos do primeiro século em diante tinham caráter imaculado, nem tão pouco a igreja se mostrava sempre isenta do mal. Apesar desses fatos, entre os padrões morais do paganismo e os da igreja do Novo Testamento havia um grande abismo: surgiram o amor, a pureza, a humildade, a verdade e muitas outras virtudes que mal existiam no paganismo. Por muito frouxamente que os cristãos seguissem os ideais que caracterizavam, distinguiam-se dos pagãos que os cercavam graças ao poder da verdade do Novo Testamento. As provas da mensagem divina e do poder moral desses livros não podem ser aplicados com sucesso por um único individuo numa esfera limitada, para que se não argumente que a dinâmica do cânon era apenas o efeito fortuito produzido pela reação acidental tempo-temperamento. Quanto ao testemunho interno das próprias obras e o testemunho externo daqueles que as conheciam e utilizavam, são unânimes em mostrar que elas provêm de Deus. Sendo assim, tornam-se mais seguros os critérios de canonicidade.

2.3 A ESCOLHA DOS LIVROS CANÕNICOS
A decisão final sobre o que devia e o que não devia ser introduzido no cânon não se limitava de forma arbitrária a uma só pessoa ou a um só grupo local da igreja cristã. Essa decisão nasceu gradativamente como o desenvolvimento de um corpo em formação. A separação entre livros canônicos se deu através de uma ação lenta e espiritual. Nesse caso podemos dizer que essa ação foi alçada pelo poder do Espírito Santo de Deus no desenvolvimento da igreja cristã. Não foi a igreja quem estabeleceu o cânon; a sua participação nesse processo foi tão somente de reconhecê-lo. Acrescentamos ainda, que no sentido mais amplo, nenhum concilio eclesiástico poderia criar um cânon, visto que a inspiração é a qualidade essencial de canonicidade, portanto nenhum grupo ou concilio podia insuflar inspiração em obras já existentes. Tudo o quanto os concílios podiam fazer era dar sua opinião acerca dos livros considerados inspirados e dos que não eram e, depois, deixar que a história justificasse ou invalidasse o seu veredicto.

2.4 RESUMO HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO
No inicio do segundo século, todos os livros que atualmente fazem parte do Novo Testamento já haviam chegado ao seu destino, mas nem todos os cristãos dessa época tinham conhecimento de todos esses livros, visto que a circulação universal desses livros se deu através de um processo bastante lento. No segundo século, alguns livros, atualmente considerados apócrifos, eram aceitos em alguns igrejas como obras inspiradas por Deus. Durante o tempo dos apóstolos, algumas das epistolas de Paulo e um ou mais evangelho já eram aceitos como escrituras Sagradas. Já no começo do segundo século de modo geral, ainda não universal, treze epístolas de Paulo eram recebidas como escrituras Sagradas, como também o livro de Apocalipse, totalizando vinte livros ou mais.
Durante o segundo século, eram aceitos quase universalmente todos os 27 livros do Novo Testamento, com exceção epistola de Tiago. Contudo alguns aceitavam essa epistola também. Orígenes (254 d.C) foi o primeiro dos pais da igreja a aceitar a epistola de Tiago, mas também aceitava a epistola de Barnabé e o Pastor Hermas, pelo que seu Novo Testamento constava 29 livros. No século IV d.C. chegou-se a fixação quase universal do cânon do Novo Testamento, tal como existe hoje em dia. Os concílios, tanto os antigos como os da idade média, em geral, aprovaram o cânon dos 27 livros, tal como os conhecemos na atualidade.

2.5 OS PRINCÍPIOS OBSERVADOS PARA A CANONIZAÇÃO
Os livros do Novo Testamento não foram canonizados aleatoriamente. Sendo assim, o processo de canonização foi feito dentro de alguns princípios.

1.    Deveria ter Circulação e aceitação universal pela maior parte da liderança da igreja: Alguns livros não foram aceitos por falta de circulação na igreja universal, visto que circulavam somente em focos isolados da cristandade daquele tempo; outros, apesar de ter esse mesmo problema foram aceitos, embora bem mais tarde.
2.    Autoria deveria ser dos apóstolos ou dos discípulos dos apóstolos: Dentre os apóstolos, temos as epistolas de Paulo, de Pedro, o evangelho de Mateus e o de João. Dentre os discípulos dos apóstolos, temos o evangelho de Marcos, de Lucas, o livro de Atos, e possivelmente a epistola aos Hebreus, etc.
3.    Os livros deveriam concordar com a tradição e a doutrina ensinada pelos apóstolos: Lucas, Atos, Apocalipse e II Pedro. Também foram rejeitados os escritos ridículos ou fabulosos. Entre esses podemos enumerar a maior parte dos livros apócrifos, o evangelho de Tomé, o de André, os Atos de Paulo, o Apocalipse de Pedro, etc. Houve rejeição de literaturas que visavam propagar heresias, como o evangelho de Tomé, diversos outros evangelhos, epístolas falsas e apócrifas.

2.6 O ANTIGO TESTAMENTO BASE DE APOIO PARA O NOVO TESTAMENTO
O Antigo Testamento, que forneceu o impulso criador de um Novo Testamento, a vida e as palavras do Senhor Jesus, e, em consequência, a necessidade de criar uma autoridade do Antigo Testamento; a nova religião cristã, de criou a necessidade de mais Escrituras além das Escrituras judaicas, para formar a base da nova revelação; os apóstolos, primeiros grandes lideres da nova fé revelada, os quais com seus livros e epístolas, que criaram os cânones primitivos e uma nova autoridade na igreja primitiva e os concílios da igreja primitiva e medieval. Depois de alguns séculos de desenvolvimento, o cânon do Antigo Testamento foi finalmente estabelecido antes do fim do século 1 a.C. Grande parte da congregação judaica aceitava diversos livros apócrifos, pelo que não havia opinião unânime sobre o cânon, do Novo Testamento. A verdade é que então já existia o fato de comunidade religiosa que compilavam lista de livros dotados de autoridade religiosa. Aqueles que estudam a história e a literatura dos povos antigos notam que todos esses povos contaram com sua literatura sagrada.

Os romanos contavam os escritos Sibilinos, os gregos tinham os escritos de Homero, de Musaio e de Orfeu. Os egípcios colecionaram os 42 livros de Hermes, o livro dos mortos e outros mais. Por semelhante modo, a nova religião cristã sentiu a necessidade de contar com uma fonte escrita de autoridade, que servisse de base à fé e à prática cristã. Não queremos dizer, com isso, que as novas Escrituras não usufruíram da orientação e da inspiração do Espírito Santo, mas é obvio que a formação do cânon sofre influências da esfera humana também. Igualmente é claro que nessa esfera humana, Deus usa indivíduos e circunstâncias para efetuar suas obras e sua vontade. Assim é que a igreja primitiva aceitava os livros do Antigo Testamento como dotados de autoridade religiosa e de inspiração divina. Esses livros formaram o cânon mais primitivo da igreja cristã, embora fique evidente que nesses livros, estavam ausentes determinados ensinos que eram os ensinos distintos do cristianismo, emanados de Cristo ou dos apóstolos. Portanto, os livros que continham as palavras de Jesus e dos apóstolos facilmente foram aceitos como parte do cânon nas Escrituras. Houve um processo longo e complexo antes que todos os livros que hoje temos no Novo Testamento constituíssem (individual ou coletivamente) o Novo Testamento. Neste encontramos grande número de citações a alusões tomados por empréstimo do Antigo Testamento. Também vemos que os autores do Novo Testamento aceitaram a ideia de que Jesus era o Cristo prometido no Antigo Testamento, pelo que os profetas do Antigo Testamento são, ao mesmo tempo, profetas da fé cristã. Isto feito, para formar a sua Bíblia, o cristianismo fez uma ligação entre as antigas e as novas revelações divinas. Dessa maneira é que se estabeleceu a base histórica do cristianismo. Pode se dizer, por conseguinte, que o Antigo Testamento não foi somente o precedente que exerceu influência na formação de um Novo Testamento em forma de documento escrito, mas também que exerceu notável influência no caráter e nas ideias dessa nova coleção de livros sagrados.

2.7 A INFLUÊNCIA DE JESUS CRISTO NA ESCOLHA DOS LIVROS
Nunca homem algum falou como Jesus. Ninguém jamais viveu como ele. Considerando sua vida e suas palavras, achamos não somente uma explicação para a existência de um Novo Testamento, mas também entendemos que seria impossível que, depois da vida de um homem assim, não tivesse sido escrito muitos livros acerca dele. O sentido e a ilustração desse fato pode ser observado pelo leitor, na existência não só do Novo Testamento, mas também na existência dos livros apócrifos do Novo Testamento, porquanto muitos “evangelhos”, “Atos e epistolas”, foram escritos por diversos indivíduos, descrevendo a vida dos doze apóstolos ou os cristãos antigos. Em Lc 1.1-3, mostra que muitos escreveram sobre Cristo e suas palavras, e que o próprio Lucas usou parte desses livros como base do evangelho que escreveu. Dizendo isto, porém, não queremos afirmar que Lucas usou livros “apócrifos”, esses livros que Lucas usou são desconhecidos hoje em dia, com exceção do evangelho de Marcos. Devemos notar que a vida e as palavras de Jesus não deixaram de ser observadas pelo mundo, e que até hoje o mundo continua a observá-las, e muitos continuaram escrevendo a respeito do assunto. Foi apenas natural, portanto, que parte das seções aceitas como “escrituras sagradas” relatassem as palavras de Jesus e descrevessem a sua vida. Esses livros foram designados desde o principio pelo nome de “evangelho”. Mas houve outros “evangelhos” que foram rejeitados.

2.8 A INFLUÊNCIA DA NOVA RELIGIÃO CRISTÃ
O cristianismo teve por berço o judaísmo, mas desde os seus primórdios, os novos elementos de Cristo e dos apóstolos exerceram grande influência sobre os cristãos. Mui dificilmente um judeu estrito aceitaria os ensinamentos de Cristo sobre a lei das cerimônias, sobre o divórcio, etc., mas o mais intragável seria aceitar as declarações de Cristo sobre sua própria pessoa, ou seja, a sua divindade. Jesus mesmo disse: “edificarei a minha igreja”. Jesus, tal como Lutero, foi separado da organização religiosa, que estava nas mãos das autoridades religiosas da época, e, tal como o mesmo reformador, logo contou com uma igreja estabelecida em seu nome. Nota-se, igualmente, que nas epistolas dos apóstolos desde o principio penetraram elementos não-judaicos. Apesar do fato de que, a princípio, o povo cristão tivesse permanecido no seio das sinagogas judaicas, quando Cristo ressuscitou dentre os mortos, já eram notadas diferenças entre os israelitas e os cristãos. A principal diferença era feita pelo próprio Cristo. O Senhor Jesus foi mais do que um reformador; Ele é o Deus-homem e, com a ressurreição, provou ser o primeiro homem imortal, tornando-se, dessa maneira, o padrão da vida e do destino de todos os cristãos. Essas explicações se encontram nas palavras de Jesus e dos apóstolos. É natural, pois, que a nova religião tivesse adotado os livros e as epístolas que continham essas diferenças como suas “Escrituras Sagradas”. Pode-se dizer, também, que bastava a existência da nova religião para que se impusesse a existência de novas “Escrituras”, que servisse de base à nova religião revelada.

2.9 A INFLUÊNCIA DOS APÓSTOLOS E DOS PAIS DA IGREJA
Não há que duvidar que as epístolas de Paulo, como as dos demais escritores sagrados, apresentam matérias que eles acreditavam ser de inspiração divina. Por muitas vezes Paulo fala das revelações que recebeu, dando a entender que as crenças ali apresentadas não eram propriamente suas. (Gl 1.8-11; Ef 1.8-11; 1 Co 15.51; 2 Co 12.7-13) Bem cedo muitos denominaram as epístolas de Paulo de Escrituras (1 PE 3.15-16, em combinação com 1.21). O autor do livro de Apocalipse tinha como indiscutível que seu livro seria considerado parte integrante das Escrituras Sagradas (Ap 22.19-20). Outro argumento que mostra que já no tempo dos apóstolos as suas epistolas já exerciam grande influência e eram extremamente usadas, são os seguintes: Paulo solicitava que as igrejas trocassem de epístolas (Cl 4.16). Certas epístolas mostram grande cuidado em sua preparação, como as epístolas aos Romanos e aos Hebreus. É impossível que os autores dessas epístolas pensassem que suas obras seriam lançadas no lixo pelos seus destinatários. O autor do livro de Apocalipse mostra claramente que ele queria que a igreja lesse, cresse e usasse o seu livro (Ap 22.19). Não é possível que Marcos tivesse composto seu livro, contando a história de Jesus Cristo, o Filho de Deus, pensando que a igreja haveria de lê-lo apenas por uma vez, para em seguida jogá-lo fora. Não é provável que Lucas tivesse efetuado tanto preparo e pesquisa para escrever seu livro a um oficial do governo romano com a ideia de que os próprios cristãos logo jogaria fora essa magistral obra histórica. Aquele que lê o Novo Testamento pode sentir o forte propósito que seus leitores tiveram de estabelecer, comunicar e glorificar a mensagem da nova religião revelada. Dificilmente alguém poderia aceitar a ideia de que isso era fruto de um impulso momentâneo, sem qualquer grande anelo ou finalidade. O fato que Mateus e Lucas usaram o evangelho de Marcos como alicerce de seus próprios livros, mostra que confiavam na veracidade da narrativa apresentada por Marcos. Assim sendo podemos ver como a influência dos próprios apóstolos e de outras autoridades da igreja primitiva serviu de importante fator na formação do cânon do Novo Testamento. Além das influências apostólicas, podemos destacar também a influência dos Pais da Igreja, tais como, Hirineu de Leão, Justino o mártir, Clemente, Hipólito de Roma, Inácio, Policarpo, Tertuliano de Cartago, Clemente, Orígenes de Alexandria, etc... Todos estes influentes líderes cristãos, entre outros, mesmo antes de ter sido definido os 27 livros do Novo Testamento, já mencionavam muitos deles em suas pregações e ensinos e também reconheciam a autoridade de inspiração divina, mesmo que às vezes houvesse divergência entre eles referente a alguns livros em particular. O grande historiador Eusébio também contribuiu para a formação do cânon como hoje o conhecemos, pois as opiniões mantidas pela igreja, em geral, até o século IV. d.C se refletiam no resumo preparado por ele que é considerado o pai da história eclesiástica. Ele dividiu a lista em três porções: livros reconhecidos: eram os que ele via como inspirados; livros discutidos: eram aqueles como o Apocalipse que devido ao seu rico conteúdo simbólico era difícil de interpretar e os livros espúrios: eram aqueles que posteriormente não entraram no cânon e este historiador já os via em desacordo com o restante do Novo Testamento que hoje temos.

2.10      A INFLUÊNCIA DOS CONCÍLIOS
Os concílios também exerceram grande influência na formação do cânon, mas tão somente tiveram a função de declarar a opinião geral das igrejas, em diversas partes do mundo, servindo, por isso mesmo, para consolidar e oficializar essa opinião. Os concílios eram marcados pela presença de representantes da igreja. Esses representantes vinham de suas respectivas regiões, ou seja, em qualquer parte do mundo onde havia uma igreja organizada, de lá vinha seu representante. Nos concílios eram tratados assuntos de relevante importância para o seguimento da igreja.
·         Concílio de Laodicéia (363): A discussão formal do cânon por delegados da igreja, reunidos em concilio oficial, não teve lugar senão em finais do quarto século. O primeiro concílio onde o assunto foi ventilado foi o de Laodicéia, em 363 d.C.
·         Concílio de Hipona (393): O concilio de Hipona, na África, aceitou todos os vinte e sete livros que temos hoje no Novo Testamento.
·         Concílio de Cartago (397): Em Cartago, na África, foi emitido um decreto semelhante ao do Sínodo de Laodicéia e apresentou uma lista de escritos idênticos a dos 27 livros do atual Novo Testamento. Outro concílio, também de Cartago em 419 d.C., confirmou a mesma posição do concilio anterior, mas separou a epístola aos Hebreus dos escritos de Paulo, não aceitando a ideia de que Paulo é quem a escrevera. Agostinho foi um dos principais personagens desses dois concílios.
·         Concílio de Nicéia (325): O concilio de Nicéia aceitou o cânon de Atanásio (todos os atuais 27 livros do atual Novo Testamento). Eusébio, bispo de Cesareia, na Palestina, aceitou essa decisão do concílio de Nicéia, mas não sem fazer algumas restrições. Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, autor de muitos comentários e que foi a principal força influenciadora na igreja do Oriente ao seu tempo (398 d.C.) aceitava os quatro evangelhos, o livro de Atos, 14 epístolas de Paulo, 3 epístolas universais mas não 2 Pedro, 1 e 2 João, Tiago, Judas e o Apocalipse. Esse é o chamado cânon Peshitto (versão Siríaca) que reflete a tradição de Antioquia. Esse era o “cânon” daquela parte do mundo, a despeito da falta de qualquer decisão oficial, tomada em concilio.
·         Concílio de Trento (1546): O concilio de Trento, da igreja romana, aceitou a Bíblia tal como temos hoje em dia, mas no Antigo Testamento, incluiu vários livros apócrifos. Os cristãos protestantes, principalmente sobre a influência de Lutero e de sua tradução da Bíblia para o alemão, aceitavam a Bíblia tal como a temos hoje, sem os livros apócrifos.

Os concílios que discutiram o cânon só tiveram lugar no IV século, e nessa altura o Novo Testamento já se tornara as Escrituras Sagradas da igreja. O cânon existente saiu de um vasto corpo de tradição oral e escrita, e impôs-se às igrejas devido à sua autenticidade e poder dinâmico inerente. Desde o quarto século, não tem havido transformação no cânon reconhecido, se bem que, desde a reforma para cá, se tenha dado expressão a muitos pontos de vista individuais. É fato conhecido que, fora dos concílios, muitos indivíduos, em particular, incluído entre eles muitos lideres da igreja, durante a idade média e até o tempo da reforma, não aceitavam certos livros, ou pelo menos, não lhes davam o mesmo valor que emprestavam a outros e isso vemos na igreja até os dias atuais, por mais que a cristandade aceite todos os livros como sendo sagrados e divinamente inspirados, alguns se tornaram, para alguns grupos cristãos, mais usados, citados e pregados do que outros.

 FONTE: APOSTILA DO NOVO TESTAMENTO - KERIGMA T&D